Falta de recursos ameaça Obras Sociais Irmã Dulce

Repasse financeiro compromete funcionamento das Obras Sociais Irmã Dulce (Osid). De acordo com o gestor financeiro da entidade, Milton Carvalho, se algo não for feito logo, a instituição – que atende cerca de duas mil pessoas por dia só na unidade que fica no Largo de Roma – pode encerrar em algumas frentes de atendimento.
“Nós temos quatro unidades no estado em que fazemos a gestão administrativa. Dessas quatro unidades, nós já temos em torno de R$ 25 milhões a receber, referente aos meses de novembro e dezembro. Além disso, temos também nossos contratos e a parte dos atendimentos de alta complexidade, que hoje já totalizam cerca de R$ 16 milhões. Temos também a receber, da Secretaria da Fazenda do Estado da Bahia, algo em torno de R$ 2 milhões, referente à campanha “Sua nota é um show de solidariedade”. Ao final das contas, temos a receber um montante de R$ 43 milhões do governo do estado”, comentou.
Juntas, essa quatro unidades que ficam em Salvador (Hospital São Jorge), Barreiras (Hospital do Oeste), Irecê (Hospital Regional) e Santa Rita de Cássia (Hospital Eurides Sant’anna), além do Complexo Roma, atendem, por ano, cerca de quatro milhões de pessoas entre idosos, crianças, pessoas com deficiência e que têm problemas com álcool e drogas. São mais de 40 especialidades à disposição do público, além da realização de procedimentos de alta complexidade como oncologia e a parte de reabilitação auditiva.
No entanto, de acordo com Carvalho, a condição dos profissionais que atuam nessas unidades exige cuidados, e demissões no quadro podem acontecer. “A situação dos médicos das unidades externas, especificamente, é complicada, pois nós temos quatro unidades sob a nossa administração. Hoje, precisamos de R$ 4 milhões para pagar a eles, sendo que, desse valor, já pegamos R$ 2 milhões emprestado. Caso nós não recebamos qualquer tipo de pagamento por parte do estado, chegaremos, até o final do mês de janeiro, com um acumulado de R$ 15 milhões de saldo devedor, e o enxugamento do quadro será inevitável”, contou. Ainda segundo o gestor, o governo do estado alegou falta de recursos suficientes para poder repassar as verbas à Osid.
A situação, segundo ele, é bastante crítica e, além do Governo do Estado, doadores podem ajudar a levantar novamente a instituição. “Em 21 anos de casa, nunca passei por uma situação dessa, delicada. O saldo devedor é muito elevado. Eu gostaria de pedir àqueles que podem contribuir que o façam. Afinal, se não fosse por eles, essa instituição já teria fechado as portas há muito tempo”, assegurou.
Caso a situação se torne insustentável, Carvalho falou que terá que devolver novamente ao estado a gestão das quatro unidades que hoje estão sob responsabilidade da Osid. “Esta situação, caso venha a ocorrer, será avaliada pelo Conselho. A partir daí, o governo é que terá que tomar as medidas para que esses espaços não venham a fechar também”, afirmou.
Secretaria de Saúde fez repasse de R$ 20,9 milhões
A Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) informou, através de nota enviada por sua assessoria, que nos últimos dez dias foram efetuados pagamentos na ordem de R$ 20,9 milhões, referentes a contratos da Sesab com as Obras Sociais Irmã Dulce (OSID). O órgão ainda esclareceu que vem envidando esforços para equacionar o pagamento de R$ 24 milhões referentes à gestão indireta e contratualização dos hospitais do Oeste (Barreiras), Mário Dourado Sobrinho (Irecê), Eurídice Santana (Santa Rita de Cássia) e São Jorge (Salvador), unidades da Sesab que estão sob gerência da OSID, mesmo com o orçamento de 2015 ainda fechado. Para finalizar, a Sesab garantiu que não haverá descontinuidade dos atendimentos em nenhum dos hospitais citados.
Já a Secretaria da Fazenda (Sefaz), cujo último repasse para as Obras Sociais Irmã Dulce foi feito em maio de 2012, foi contatada para falar sobre o assunto. No entanto, não obtivemos qualquer resposta por parte de sua assessoria até o fechamento desta edição.
HISTÓRIA
As Obras Sociais Irmã Dulce (OSID) nasceram no dia 26 de maio de 1959, tendo como sua fundadora a freira baiana Irmã Dulce. As raízes da OSID datam de 1949, quando a Irmã, sem ter para onde ir com 70 doentes, pediu autorização a sua superiora para abrigar os enfermos em um galinheiro situado ao lado do Convento Santo Antônio.
Segundo o site da entidade, atualmente o local abriga um dos maiores complexos de saúde 100% SUS do país, com cerca de 4 milhões de atendimentos ambulatoriais por ano a usuários do Sistema Único de Saúde, idosos, pessoas com deficiência e com deformidades craniofaciais, pacientes sociais, moradores de rua, usuários de substâncias psicoativas e crianças e adolescentes em situação de risco social.
A organização conta com um perfil de serviços único no país, distribuídos em 16 núcleos que prestam assistência à população de baixa renda nas áreas de Saúde, Assistência Social, Pesquisa Científica, Ensino em Saúde, Educação e na preservação e difusão da história de sua fundadora.
PARA AJUDAR
Para quem quiser colaborar, as Obras Sociais Irmã Dulce disponibilizam algumas formas de contribuição. Uma delas é o programa Sócio Protetor, onde qualquer pessoa física ou jurídica pode colaborar através de boleto bancário ou de débito em conta no Banco do Brasil, Bradesco ou Caixa Econômica Federal. Mais informações sobre os métodos de doação podem ser obtidas pelo telefone 0800-284-5284 ou através do site www.irmadulce.org.br.


