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Proposta de substituição da ponte Salvador-Itaparica por porto-travessia

O Gabinete Português de Leitura, após realizar a quinta edição da Semana da Baía de Todos os Santos (25 de outubro a 01 de novembro), divulga à imprensa baiana um relatório específico sobre o seminário Travessias e Terminais da Baía de Todos os Santos. O documento destaca a necessidade de se realizar um fórum técnico, antes do governo estadual dar ordem de serviço para o início da obra de uma ponte entre Salvador e Itaparica.
O seminário realizado, com três palestras e propostas diversas para a travessia da Baía de Todos os Santos, apontou para a proposta do Prof. Paulo Ormindo de Azevedo, de uma Envolvente Rodoferroviária da Bahia de Todos os Santos, como aquela que atenderia, a curto prazo, e custos muito menores, as necessidades dos habitantes de Salvador e de todo o Recôncavo, no desenvolvimento sócio econômico dessa região. A proposta fomentaria o turismo rodoferroviário e náutico – este não só nacional, mas também internacional – transformando uma região geográfica e historicamente privilegiada numa das maiores atrações do continente, comparável às que existem nas praias mediterrâneas da Europa.
O engenheiro Adinoel Motta Maia, professor do Departamento de Transportes da Ufba, recorda que a grande paixão do já falecido, engenheiro e professor Vasco Neto, era a coordenação dos transportes, sem a qual, as soluções isoladas trazem mais problemas do que benefícios, principalmente quando adotadas com pressa. Além do que, Neto tinha o sonho de promover a travessia da América do Sul, entre um porto na costa baiana e outro na costa do Oceano Pacífico.
Para o professor Adinoel, o seminário mostrou claramente que o projeto do governo estadual é algo muito mais amplo do que o simples atendimento de circulação de pessoas e veículos – inclusive de carga – na baía em si e no seu recôncavo, incluindo Salvador.
Ao contrário do que se costuma divulgar, o que o Estado propõe não é simplesmente uma ponte rodoviária para a travessia de Salvador para Itaparica, mas um grande complexo rodoviário para alimentar o pequeno porto de Salvador, com repercussão até o rio São Francisco, complementando um outro já em execução, da estrada de ferro FIOL, do oeste para o Porto Sul, em Ilhéus, no transporte de minério e de grãos.
“Esse projeto do Estado não precisa ser abandonado, com a adoção da proposta do Prof. Paulo Ormindo de Azevedo, apenas para a BTS e o Recôncavo. Enquanto se implementa esta, pode-se estudar e orçar a do Arquiteto Lourenço Prado Valladares, de um porto-travessia no meio da baía, onde as águas são as mais profundas entre os portos do Brasil e se poderá partir para uma simbiose delas, servindo navios porta-contêineres de calado até 40 metros (o porto de Salvador tem calado de apenas 12 metros), ligado por pontes baixas em águas rasas a Salvador e a Itaparica”, acrescenta Motta Maia.
Em resumo, o seminário da V Semana da BTS está propondo que se substitua a ponte Salvador-Itaparica, apresentada pelo Estado, com a única função de servir a automóveis e caminhões e ao atual porto de 12 metros de calado, por um porto-travessia de 40 metros de calado no meio da baía, acessado por um complexo rodoferroviário de túnel submarino e pontes complementares nas saídas para Salvador e Itaparica. Uma obra que alteraria o miolo do atual projeto, aproveitando-se a maior parte dos estudos já realizados, prolongando-se o seu início apenas pelo tempo necessário ao novo projeto, tempo esse que seria suficiente para implementar aquela proposta da envolvente, que serviria os moradores de todo o Recôncavo e incrementaria o turismo náutico e rodoviário nacional e internacional, dando às praias da Baía de Todos os Santos o desenvolvimento, o charme e a riqueza daquelas que existem na costa mediterrânea da Europa.
De imediato, na avaliação do coordenador da Semana da BTS – seria conveniente que a própria Secretaria de Planejamento do Estado realizasse um fórum técnico, com a participação de outros órgãos públicos, mas também de entidades privadas, como o Instituto dos Arquitetos e o Instituto Politécnico, entre outras, para analisar técnica e economicamente as três propostas, no sentido de integrá-las num único projeto que beneficie a população de todo o Recôncavo.
Dessa forma, se demonstraria vontade de gastar menos e fazer mais, com maior prazo de validade, sem transformar a nossa bela e charmosa baía em apenas uma área de serviços atravessada por uma obra de engenharia de característica espetacular, para ser vista de longe, mas agredindo a natureza.
GABINETE PORTUGUÊS DE LEITURA

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