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PT baiano acirra clima de disputa pela presidência da Assembleia Legislativa

A eleição para a presidência da Assembleia Legislativa da Bahia, marcada ainda para fevereiro, acirra os ânimos entre os aliados do governo.
O clima de disputa se acentuou entre o atual presidente Marcelo Nilo (PDT) e os demais, com a confirmação de que o PT entrou no jogo, após decisão da bancada, chancelada pelo presidente estadual do partido, Everaldo Anunciação.
O entendimento é que a sigla com maior número de representantes da Casa já abriu mão outras vezes para o pedetista e que por isso estaria na hora de um integrante do partido do governador eleito, Rui Costa (PT), postular o comando do Legislativo. 
Na tarefa da conquista, os petistas vão dialogar com aqueles que fazem aliança para viabilizar um nome. Além do PT, que tem como candidatos interessados, Rosemberg Pinto, atual líder do grupo no Parlamento, os deputados Luiza Maia, Zé Neto, outros postulantes de posicionamento governista se colocaram no páreo, a exemplo dos deputados Alan Sanches (PSD) e Sargento Isidório (PSC).
Com o conforto de quem já está na cadeira, o dirigente que busca o quinto mandato diz que vai para a briga e avisa que 45 já se manifestaram favorável a sua candidatura. Apesar de dizer que recebeu com “naturalidade” a decisão do PT, Nilo questiona a “lealdade” aliada e ainda revela que conta com o apoio daqueles que estiveram do lado contrário na eleição estadual.
“Eu trabalhei tanto por Rui Costa e o PT que é o partido do governador eleitor não me apoia, enquanto a oposição sim. Parece inacreditável”, deplora. Segundo Nilo, com tal atitude os petistas não pesaram a sua parceria e fidelidade ao governador Jaques Wagner (PT) e a contribuição eleitoral para Rui.  “Mas vou disputar com o PT e não com Rui Costa. Se eles ganharem parabéns”, contemporiza.
O pedetista confessa, entretanto, que já colocou as cartas na mesa.  “Não tenho a maioria, mas já consegui o consenso e vou fazer a minha chapa. Vou reservar a 1ª vice para o PSD, que tem oito deputados e a 1ª Secretaria para a oposição que é uma das maiores por somar entre 18 e 19 deputados”, conta.  
Entretanto, questionado pela reportagem, o líder do PSD na Casa, deputado Alan Sanches disse desconhecer qualquer tipo de acordo com Nilo. Firme na decisão contrária à reeleição e nome colocado à mesa em busca de consequente inovação no parlamento, Sanches frisou que esse pode ser um desejo do presidente. “Esse deve ser o desejo dele, mas não compactuo com essa composição, pois sou contra a antidemocracia”, enfatiza.
Na bancada da oposição também não existe voz declarada sobre o apoio ao pedetista. O líder da bancada, Elmar Nascimento (DEM), que não participará do pleito em 2015, já que se elegeu a deputado federal, nega que o grupo já tenha fechado com o pedetista.
“Nem esse assunto foi conversado ainda. Eu pessoalmente acho que até por cortesia os deputados da oposição devem conversar com todos os candidatos primeiro para depois decidirem. Ninguém sabe nem qual é a proposta de cada um”, diz.
O democrata afirmou que pretende reuni-los na próxima terça-feira para conversar sobre vários assuntos, inclusive a corrida na Casa.
Rosemberg contra-argumentou  Nilo. “O PT o apoiou quatro vezes então ele não pode falar isso. Ele assumiu o compromisso da última vez em que fora eleito para presidência que não seria mais candidato a reeleição. Não existe essa questão. Além disso, ele lançou a candidatura sem sequer conversar nada com o PT, apenas disse na imprensa que tinha apoios confirmados”, disse.
O líder petista reiterou que a posição do PT seria apenas de ser favorável a renovação do cargo. “Não é nada contra Marcelo. Ele é um querido, está no governo. Isso seria apenas dentro do princípio de fazer com que a Assembleia interrompa a sucessão de forma indeterminada”, justificou.
Ele ainda contou que esteve com o presidente do Legislativo e que a situação estava apaziguada. “O próprio deixou claro que o Legislativo é uma coisa e governo é outra. Ele também negou que houvesse acordo com Rui”, relatou.
Nos bastidores, comenta-se que o nome de Nilo sofreria rejeição por parte de muitos parlamentares, que questionam práticas de favorecimento, que podem causar futuros problemas com a Justiça. 
Mas o assunto ainda é tratado de forma discreta nos corredores. Enquanto no PT, a determinação envolveu o presidente estadual Everaldo Anunciação, nos outros partidos, as decisões tomadas pelos candidatos apenas foram comunicadas as siglas, que, por enquanto, ainda preferem se manter distantes da polêmica.
 No comando do PSD em âmbito estadual, o senador eleito e governador em exercício, Otto Alencar disse que todos os candidatos ao posto de presidente da Assembleia o apoiaram na eleição. “Portanto, eu não posso ficar contra nem a favor. Em reunião no partido ficou decidido que os deputados fizessem aquilo que fosse melhor para o Legislativo”, justificou.
A independência do processo também foi citada pelo presidente estadual do PDT, Félix Mendonça.  “Na verdade Marcelo Nilo não conversou comigo, mas quando isso acontecer claro que estamos com ele. Mas a disputa está fechada ao Parlamento”, afirmou.
O conflito entre o PSC e deputado Sargento Isidório, causado pelos posicionamentos diferentes na eleição, onde o parlamentar apoiou a presidente Dilma Rousseff (PT) e o PSC, o candidato Aécio Neves (PSDB) ficou pra trás, mas o dirigente estadual do partido, Eliel Santana deixa claro que a questão é interna da Assembleia Legislativa.
“É lógico que sob a orientação do partido ele colocou a vontade dele e agora ele mesmo tem que se viabilizar, trabalhando primeiro no partido e no bloco que deve compor”, disse.
O PSC estuda a composição com o PRB e o PV. Os três estiveram na coligação oposicionista com o ex-governador Paulo Souto (DEM).
Eliel ponderou que seria a segunda maior votação entre os eleitos que justificaria Isidório no páreo para a presidência da mesa.
“Os critérios para um deputado ser candidato é ter senso de liderança, de organização, divisão do poder, ser bem relacionado e ter projetos para melhoria da Casa”, frisou.(Tribuna)

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