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Aumento do risco Brasil já causa impacto nos negócios

Conversei com um executivo que tinha toda a engenharia financeira para financiar um projeto pronto. O fundo que financiaria avisou ontem que desistiu do negócio porque o risco Brasil está subindo muito.
Ele se referia tanto à classificação de risco da dívida quanto ao que pode acontecer com a descoberta dos casos de corrupção. A culpa, claro, não é da apuração dos crimes. O fato é que o nível de corrupção a que o Brasil chegou afasta o investimento. E a conta fiscal deteriorada aumenta o risco Brasil ao deixar o país perto de sofrer um rebaixamento na nota de crédito. Se o país perder o grau de investimento, as aplicações aqui voltarão a ser consideradas especulativas.
Também na quinta-feira conversei com dois economistas e eles acreditam que o rebaixamento do Brasil pode vir em 2015. O professor Antonio Licha, da Uerj, acha que o país tem alguma maneira de escapar. Mas que a liberdade que o governo terá para não cumprir a meta de superávit primário de 2014, com espaço para entregar até um déficit, vai pesar na hora de as agências de classificação revisarem a nossa nota. A dúvida do professor José Márcio Camargo, da PUC-Rio, é se o Brasil vai ser rebaixado no primeiro ou no segundo semestre.
Já houve casos notórios de erros dessas agências de risco, como no caso da Enron. Mas isso não modificou o prestígio delas junto aos fundos que aplicam por longos prazos. Está no estatuto deles a condição de somente investir em títulos que tenham o grau de investimento. O esforço para conquistar o grau foi enorme e durou anos. Perdê-lo será muito pesado.
A decisão pelo descontrole fiscal em 2014 pode ter consequências, como mostra a situação do executivo com quem conversei ontem. É um caso concreto que mostra como o risco de um país é mais do que uma nota bonita, é parte da realidade econômica.
(Blog da Míriam Leitão)

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