Geradoras vão bancar conta extra de R$ 16,1 bilhões

Um rombo bilionário tomou conta das principais hidrelétricas que estão em operação no país. Entre janeiro e setembro deste ano, consórcios e empresas que controlam essas usinas terão de bancar uma conta extra de R$ 16,1 bilhões, dinheiro que será usado para comprar energia de usinas térmicas e, dessa forma, garantir o volume de abastecimento que as hidrelétricas tinham se comprometido a entregar, mas não conseguiram cumprir.
No primeiro semestre deste ano, essas empresas já desembolsaram R$ 6,5 bilhões. Entre julho e setembro, no entanto, a conta simplesmente explodiu e, até o fim deste mês, será ampliada em mais R$ 9,6 bilhões.
A origem desse abismo, que começa a abalar seriamente a saúde financeira de muitas geradoras, está na situação hidrológica atravessada pelo país. A situação das geradoras começou a se agravar em fevereiro, quando a seca reduziu o nível dos reservatórios, elevando os preços da energia no mercado livre.
Para garantir que não faltará energia a nenhum consumidor, o Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) determinou, desde o início do ano, o acionamento pleno de todas as usinas térmicas à disposição. Paralelamente, o órgão reduziu a vazão dos reservatórios das hidrelétricas.
Trata-se, basicamente, de uma decisão técnica, já que essa reserva de água ajuda a manter o equilíbrio de todo o sistema elétrico.
Ocorre que as hidrelétricas, que têm contratos de abastecimento de longo prazo firmados com as distribuidoras e grandes consumidores industriais, não podem deixar de honrar seus compromissos de geração.
Dessa forma, como não conseguem entregar o que estava previsto, são obrigadas a adquirir a energia que falta no mercado de geração de curto prazo. E o preço do megawatt-hora (MWh) nesse mercado tem sido negociado próximo do teto, entre R$ 700 e R$ 822. A exposição das geradoras no mercado à vista varia mensalmente.
O agravante dessa situação é que os donos das hidrelétricas não têm direito à compensação financeira por conta desses ajustes. Diferentemente das distribuidoras de energia, que repassam seus custos extras para a conta de luz do consumidor, cabe a cada hidrelétrica assumir seu prejuízo.
“Muitas empresas estão com o fluxo de caixa comprometido e passando um enorme sufoco para pagar essa conta”, diz Cristopher Vlavianos, presidente da Comerc Energia, empresa que atua como comercializadora de energia elétrica.
(Exame)


