Número de ‘lay-offs’ no País é o maior desde 2009

Durante o lay-off, que pode ter duração máxima de cinco meses, parte do salário do trabalhador é paga pela empresa e parte pelo Fundo de Amparo ao Trabalhador (FAT), como bolsa qualificação. Nesse contexto, o afastado é obrigado a frequentar um curso de qualificação que, no caso das montadoras, é ministrado pelo Senai. A bolsa é de R$ 1,3 mil.
Segundo o Ministério do Trabalho, os gastos do FAT até julho estão perto de R$ 37 milhões, número que também só perde para o de 2009, quando foram destinados ao programa R$ 39,8 milhões.
O maior número de bolsas neste ano foi requerido pelo setor de fabricação de álcool, com 4.028 pedidos, seguido pelas montadoras e depois por produtores de açúcar. Há casos de um único pedido, como o de atividade de organizações sindicais.
Só a fabricante de caminhões e ônibus Mercedes-Benz colocou em lay-off 1,2 mil trabalhadores da fábrica de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, e neste mês colocará no programa mais 158 funcionários da filial de Juiz de Fora (MG).
“O lay-off é uma medida boa, pois pode assegurar empregos por um tempo, sem que seja necessária uma medida mais drástica”, diz o presidente da Mercedes, Philipp Schiemer. “Nos ajuda a manejar a fábrica com a capacidade de pessoas de que precisamos neste momento.”
Assim como os trabalhadores, Schiemer afirma estar apreensivo. Nesta semana, ele irá pessoalmente falar com trabalhadores na linha de montagem da unidade do ABC para expor a situação do mercado brasileiro e da empresa.
Schiemer não quer adiantar o próximo passo, caso o mercado não apresente recuperação consistente. “É cedo para falar o que pode acontecer; esperamos uma reação para evitar demissões.” Ele projeta queda de 10% a 12% nas vendas de caminhões neste ano em relação a 2013.
Além da Mercedes, estão em lay-off 1.190 funcionários da Volkswagen de São Bernardo e de São José dos Pinhais (PR), 108 da Ford em Taubaté (SP) e 100 da MAN em Resende (RJ). A GM pode adotar a medida para mil pessoas nesta semana. Outros 200 funcionários da MAN e 650 da PSA Peugeot Citroën, também do Rio de Janeiro, entraram em lay-off no início do ano mas, segundo as duas empresas, decidiram entrar num programa de incentivos e deixaram as fábricas.
Apesar de recorrer ao lay-off e a férias coletivas, a indústria automobilística demitiu neste ano 6,7 mil trabalhadores, a maioria por programas de demissão voluntária. O setor emprega hoje 150,3 mil pessoas. A maioria deles passou, neste ano, por períodos de dispensa, como férias coletivas e folgas, medidas que continuam sendo adotadas. A partir do dia 25, a Volkswagen dará férias a 4,5 mil trabalhadores da fábrica de Taubaté e a Fiat também vai suspender parte da produção em Betim (MG).
Quem está em lay-off mantém a esperança de retorno à rotina da fábrica. “Estou aproveitando a oportunidade para me dedicar aos estudos, pois não sentava num banco escolar há 18 anos”, afirma Maria Idaiala, de 41 anos, que frequenta o curso de qualificação na fábrica da Mercedes-Benz. Funcionária da empresa há 15 anos, ela trabalha na área de montagem de cabines e enfrenta seu primeiro lay-off.
Com esperança de voltar ao trabalho “o mais rápido possível”, Wilson Menezes Silva, funcionário da Volkswagen em São Bernardo, aproveita o tempo livre para fazer trabalhos voluntários. Com 49 anos de idade e 25 de Volks, ele produzia a Kombi, que saiu de linha.


