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Conheça a osteopatia, método que cuida de todo o organismo

Durante dez anos, a psicóloga Alice Rosário reclamava de dores nas costas e pescoço. Recorreu a acupuntura, massagens relaxantes, uso de terapia medicamentosa, com anti-inflamatórios para minimizar o incômodo, mas só conseguia resultados temporários e as dores retornavam, especialmente nas situações de estresse comuns à rotina diária. 
Numa das idas ao ortopedista, ouviu falar de uma terapia chamada osteopatia. “Confesso que, inicialmente, encarei com um certo receio essa coisa de ter alguém que estalasse minhas vértebras, mas os resultados foram muito positivos e hoje frequento muito mais como prevenção do que para tratamento”, conta. 
A técnica consiste em diversas manipulações que ajudam a alinhar o corpo para que os órgãos possam trabalhar sem a sobrecarga ou disfunções.
Para essa prática, criada por um cirurgião americano, o sistema neuro-músculo-esquelético é regulador de todos os outros sistemas, por isso mesmo as disfunções e os sintomas advindos delas podem não ser só uma manifestação de doença, mas uma situação que colabora com a própria doença.
Uma vez que o problema seja encontrado e a função recuperada, o próprio organismo pode se autorregular e curar, uma vez que  os obstáculos que promovem a doença estão eliminados.
Estrutura vertebral De acordo com a fisioterapeuta Fernanda Androukovith, especialista em osteopatia, mais do que realinhar a coluna, a técnica vai descobrir, por meio da manipulação, as causas dos sintomas relatados para restabelecer a função perdida, atuando no nível visceral, craniano e neural.
 “A técnica vai permitir identificar o problema e, a partir desse diagnóstico, trabalhar a área na coluna que possui ligação com a área afetada”, esclarece, ressaltando que isso é possível graças à biomecânica do corpo humano e da sua formação que, desde o feto, começa a se desenvolver a partir da coluna vertebral, possibilitando uma ligação dessa estrutura com os demais órgãos e tecidos do corpo humano.
Todo o processo de manipulação é, geralmente, usado para tratamento de sintomas como enxaqueca, refluxo gastroesofágico, zumbido, hérnias e dores crônicas. A manipulação pode ser feita em qualquer idade, inclusive em bebês.
Cuidados 
“A única contraindicação absoluta para o uso da técnica reside nos casos de fratura ou câncer, quando a manipulação pode agravar o problema”, explica a fisioterapeuta, ressaltando que pacientes idosos e grávidas podem ser trabalhados, desde que com cuidados especiais. 
O tratamento começa com uma avaliação minuciosa, onde é conhecida a história desse paciente para que sejam identificados sinais e sintomas de possíveis disfunções. O exame clínico também é solicitado pelo especialista. Somente após essa avaliação o tratamento é iniciado; com técnicas específicas e individualizadas para cada paciente. 
O resultado da osteopatia aparece rápido. Em casos mais brandos, basta apenas uma sessão para o paciente realinhar o corpo. Nos casos mais graves são feitas sessões semanais e, com a melhora do quadro clínico, o tempo entre uma sessão e outra pode ficar mais espaçado. O tratamento não possui contraindicações. 
“Pode ser usado como tratamento preventivo, em sessões a cada três meses, como qualidade de vida”, conclui a fisioterapeuta. O custo gira em torno de R$ 190 a sessão.

Prática alternativa luta para conquistar formaçãoA osteopatia é uma técnica criada pelo cirurgião americano Andrew Taylor Still, na época da guerra civil, no final do século XIX, quando passou a estudar anatomia e fisiologia em cadáveres para tentar entender melhor o funcionamento do corpo humano e tratar os feridos no conflito norte-americano.
A técnica chegou ao Brasil no final dos anos 1980, quase um século depois da fundação da Escola Americana de Osteopatia, nos Estados Unidos. Apesar de ser considerada uma prática da medicina alternativa, a osteopatia é reconhecida pelo Conselho Federal de Fisioterapia e Terapia Ocupacional (Coffito) e só pode ser exercida por fisioterapeutas formados e com cinco anos de pós-graduação específica. “Na Europa e nos Estados Unidos, existem faculdades de osteopatia. Aqui no Brasil, a técnica é reconhecida como uma especialidade da fisioterapia”, conta a fisioterapeuta Fernanda Androukovith.
Embora seja essencialmente manual, sem a necessidade de procedimentos invasivos ou auxílio de farmacoterapia, nada impede que o osteopata conte com o apoio de outros profissionais da área de saúde, que também podem aliar as técnicas de manipulação com auxílio de exercícios físicos, posturas e nutrição que ajudam a acelerar os resultados.
Em qualquer um dos casos, os osteopatas ressaltam que a técnica contempla o paciente e não a doença e, por isso, cada programa é absolutamente individualizado, servindo para tratar apenas aquele indivíduo. No país, funciona, desde junho de 2000, o  Registro Brasileiro dos Osteopatas — R.Br.O. , que consiste num órgão da sociedade civil sem fins lucrativos. Como sede  no Rio de Janeiro, a entidade é formada  por um grupo pioneiro de osteopatas, que luta, há mais de 20  anos, pelo reconhecimento da osteopatia como profissão e pela sua regulamentação no Brasil.
(Correio)

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