Trabalhadores do call center do Banco do Brasil relatam abusos

Audiência pública convocada pelo vereador Hilton Coelho (PSOL) expôs problemas dos terceirizados que prestam serviço para o Banco do Brasil. Baixos salários, assédio moral, humilhações diárias e atrasos nos pagamentos dos direitos trabalhistas, conforme relata o vereador Hilton Coelho (PSOL), fazem parte da rotina dos trabalhadores terceirizados da Grenit Telemarketing e Tecnologia, que atuam no call center do Banco do Brasil em Salvador. Para garantir a preservação da dignidade dos trabalhadores e acabar com os abusos, audiência pública foi realizada nesta quarta-feira (30) para ouvir as queixas da categoria e as justificativas da empresa.
A direção do Bando do Brasil, a Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE) e o Ministério Público do Trabalho (MPT-BA) não compareceram e a ausência foi considerada um grave erro porque o espaço era para busca de soluções que passam pela ação direta dessas entidades.
A funcionária da Grenit, Amanda Santana, relatou parte das dificuldades enfrentadas no dia-a-dia no atendimento do call center do BB. “Estamos sendo massacrados psicologicamente. Somos humilhados todos os dias. Sempre somos pagos com atraso. Recebemos o pagamento do transporte de forma fracionada. Não temos direito nem de ir ao toalete no horário de trabalho. Quando tentamos fazer algum financiamento com o nosso FGTS, descobrimos que não foi depositado. O Banco do Brasil está cego? A Delegacia do Trabalho está cega? Sem os teleoperadores, a Grenit e o Banco do Brasil não andariam. Por isso, não entendo o porquê desse tratamento”, desabafou Amanda Santana.
O vereador Hilton Coelho explicou que, apesar das tentativas de intermediação da Superintendência Regional do Trabalho e Emprego (SRTE), a situação está “muito longe de ser resolvida”. “Seria muito interessante que todas as partes envolvidas estivessem nesse debate até para justificarem o motivo de tantos problemas”, lamentou.
“A Grenit, que chegou à Bahia em 2007, virou um centro de terror para as pessoas que lá atuam. A filial de Salvador iniciou as operações atuando no Banco do Brasil. Estamos lutando para devolver a dignidade desses trabalhadores”, completou Hilton Coelho.
Estatísticas
De acordo com o representante do Sindicato dos Trabalhadores de Telecomunicações da Bahia (Sinttel), Ueider Pires, de cada dez trabalhadores que procuram a entidade para fazer algum tipo de reclamação, sete reclamam de problemas psicológicos em função dos abusos sofridos. “Para nós, não existe terceirização sem precarização. Somos totalmente contra a terceirização. É uma escravidão o que se passa com esses trabalhadores”, afirmou Pires.
A pesquisadora Ana Soraya Vilasboas relatou que estatísticas do INSS apontam que os trabalhadores de call center têm tendência a ter doenças psicológicas. “Investimentos no físico e no psicológico dos funcionários precisam ser realizados. Essa empresa de call center procura pessoas excluídas, jovens e negros para trabalhar lá para que possam continuar fazendo abusos”, atestou a servidora federal do Ministério do Trabalho e Emprego, da Fundacentro – Centro Regional da Bahia (CRBA), assistente social, com Mestrado na linha de pesquisa do Trabalho e Sociedade CRH/UFBA.
Humberto Almeida, dirigente do Sindicato dos Bancários, afirmou a necessidade de unidade de ação entre os trabalhadores. “O Sinttel, o Sindicato dos Bancários e todas as centrais sindicais devem unir-se para uma ação firme contra o call center gerido pela Grenit e contra a omissão e conivência do Banco do Brasil diante de tudo que foi relato nesta audiência pública”;
Para o dirigente do Sinttel, Orlando Helber, os trabalhadores já deram mostras na luta contra a privatização do governo Collor e demais ações contra o patrimônio público que o caminho a ser trilhado é o da luta conjunta e firme. Posicionou-se claramente contra a terceirização.
Marcos Vinicius Oliveira, funcionário demitido da Grenit que sempre questionou os desmandos da empresa, expressou sua solidariedade e apoio efetivo aos que estão no call center e também apontou o caminho da unificação e ação conjunta contra a exploração.
Aberta a palavra para o plenário se manifestar, dentre outros, usaram a palavra o bancário do Banco do Brasil e presidente do PSOL estadual, Marcos Mendes. Zilmar Alverita, presidenta do PSOL Salvador também fez seu pronunciamento. Hamilton Assis fez uma análise da situação enfrentada pelos terceirizados e vinculou a exploração ao que qualifica como “escravismo moderno que atinge jovens, negros, da periferia e em especial as mulheres.
Hilton Coelho apresentará um relatório da audiência à Câmara Municipal de Salvador, em especial à Comissão da Reparação. “Queremos que se investigue a razão de medidas concretas não serem tomadas pelos órgãos que deveriam fiscalizar a precarização do trabalho no call center do Bando do Brasil A Grenit não pode agir como se estivesse acima da lei. Até a Polícia Federal deve ser acionada para saber a razão da omissão”, finalizou.


