O Estado e o capitalismo

Concordo com a presidente Dilma,
que classificou ontem o que está acontecendo no mercado financeiro de
“inadmissível” e “lamentável”, mas tenho a visão oposta à dela: o que é
inaceitável é um governo, qualquer governo, interferir em uma empresa privada impedindo
que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país. Sobretudo uma
instituição financeira, que tem a obrigação de orientar clientes para que
invistam seu dinheiro da maneira mais rentável ou segura possível.
que classificou ontem o que está acontecendo no mercado financeiro de
“inadmissível” e “lamentável”, mas tenho a visão oposta à dela: o que é
inaceitável é um governo, qualquer governo, interferir em uma empresa privada impedindo
que ela expresse sua opinião sobre a situação econômica do país. Sobretudo uma
instituição financeira, que tem a obrigação de orientar clientes para que
invistam seu dinheiro da maneira mais rentável ou segura possível.
Numa democracia capitalista como
a nossa, que ainda não é um “capitalismo de Estado” como o chinês — embora
muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia —, acusar um banco ou uma
financeira de “terrorismo eleitoral”, por fazerem uma ligação óbvia entre a
reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer
uma pressão indevida sobre instituições privadas.
a nossa, que ainda não é um “capitalismo de Estado” como o chinês — embora
muitos dos que estão no governo sonhem com esse dia —, acusar um banco ou uma
financeira de “terrorismo eleitoral”, por fazerem uma ligação óbvia entre a
reeleição da presidente Dilma e dificuldades na economia, é, isso sim, exercer
uma pressão indevida sobre instituições privadas.
Daqui a pouco vão impedir o Banco
Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão
de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua
redução, agora abaixo de 1% este ano.
Central de divulgar a pesquisa Focus, que reúne os grandes bancos na previsão
de crescimento da economia, pois a cada dia a média das análises indica sua
redução, agora abaixo de 1% este ano.
Outro dia, escrevi uma coluna
sobre a influência da economia nos resultados eleitorais, e o incômodo que a
alta cúpula petista sentia ao ver análises sobre a correspondência entre os
resultados das pesquisas eleitorais e os movimentos da Bolsa de Valores: quando
Dilma cai, a Bolsa sobe.
sobre a influência da economia nos resultados eleitorais, e o incômodo que a
alta cúpula petista sentia ao ver análises sobre a correspondência entre os
resultados das pesquisas eleitorais e os movimentos da Bolsa de Valores: quando
Dilma cai, a Bolsa sobe.
Essa constatação, fácil de fazer
e presente em todo o noticiário político do país nos últimos dias, ganhou ares
de conspiração contra a candidatura governista e gerou intervenções de maneiras
variadas do setor público no privado.
e presente em todo o noticiário político do país nos últimos dias, ganhou ares
de conspiração contra a candidatura governista e gerou intervenções de maneiras
variadas do setor público no privado.
O Banco Santander foi forçado a
pedir desculpas pela análise enviada a investidores sugerindo que prestassem
atenção às pesquisas eleitorais, pois, se a presidente Dilma estancasse a queda
de sua popularidade ou a recuperasse, os efeitos imediatos seriam a queda da
Bolsa e a desvalorização cambial. E vice-versa.
pedir desculpas pela análise enviada a investidores sugerindo que prestassem
atenção às pesquisas eleitorais, pois, se a presidente Dilma estancasse a queda
de sua popularidade ou a recuperasse, os efeitos imediatos seriam a queda da
Bolsa e a desvalorização cambial. E vice-versa.
O presidente do PT, Rui Falcão,
já havia demonstrado que o partido governista não se contenta com um pedido de
desculpas formal, como classificou a presidente Dilma: “A informação que deram
é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto.
Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira de resgatar o que fizeram”.
já havia demonstrado que o partido governista não se contenta com um pedido de
desculpas formal, como classificou a presidente Dilma: “A informação que deram
é que estão demitindo todo o setor que foi responsável pela produção do texto.
Inclusive gente de cima. E estão procurando uma maneira de resgatar o que fizeram”.
Ontem, na sabatina do UOL, a
presidente Dilma disse, em tom ameaçador, que terá “uma conversa” com o CEO do
Banco Santander.
presidente Dilma disse, em tom ameaçador, que terá “uma conversa” com o CEO do
Banco Santander.
Mas não foi apenas o Banco
Santander que sofreu esse assédio moral por parte do governo. Também a
consultoria de investimentos Empiricus Research foi acusada pelo PT de campanha
eleitoral em favor do candidato oposicionista Aécio Neves, tendo o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) acatado o pedido para que fossem retirados do Google
Ads anúncios bem-humorados do tipo “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio
ganhar”.
Santander que sofreu esse assédio moral por parte do governo. Também a
consultoria de investimentos Empiricus Research foi acusada pelo PT de campanha
eleitoral em favor do candidato oposicionista Aécio Neves, tendo o Tribunal
Superior Eleitoral (TSE) acatado o pedido para que fossem retirados do Google
Ads anúncios bem-humorados do tipo “Como se proteger de Dilma” e “E se Aécio
ganhar”.
Justamente é este o ponto. A cada
demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado
financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, prepara-se para
enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize.
demonstração de autoritarismo e intervencionismo governamental, mais o mercado
financeiro rejeita uma reeleição da presidente Dilma, prepara-se para
enfrentá-la ou comemora a possibilidade de que não se realize.
Isso acontece simplesmente porque
o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de
informações e expressão da opinião pública.
o mercado é essencialmente um instrumento da democracia, como transmissor de
informações e expressão da opinião pública.
Atitudes como as que vêm se
sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só
reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa
privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica
ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.
sucedendo, na tentativa de controlar o pensamento e a ação de investidores, só
reforçam a ideia de que este é um governo que não tem a cultura da iniciativa
privada, e não lida bem com pensamentos divergentes, vendo em qualquer crítica
ou mesmo análise uma conspiração de inimigos que devem ser derrotados.
Um dos sócios da consultoria
Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou em entrevistas que não se
intimidará, e fez uma constatação óbvia. “O que já vínhamos falando aos nossos
clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou
com esse cerceamento”.
Empiricus Research, Felipe Miranda, afirmou em entrevistas que não se
intimidará, e fez uma constatação óbvia. “O que já vínhamos falando aos nossos
clientes sobre a gestão do governo e a condução da política econômica só piorou
com esse cerceamento”.
Por Merval Pereira
Blog do Noblat


