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Após ser preso pela 2ª vez, Paulo Roberto volta para a PF

O ex-diretor de Abastecimento da Petrobras Paulo Roberto Costa, que foi preso na quarta-feira (11), no Rio de Janeiro, chegou à sede da Polícia Federal (PF), em Curitiba, às 13h20 horas desta quinta-feira (12). Costa já tinha sido preso em março deste ano através da Operação Lava Jato, acusado de envolvimento esquema de lavagem de dinheiro que teria movimentado R$ 10 bilhões. Contudo, ele foi libertado em 19 de maio por ordem do ministro Teori Zavascki, do Supremo Tribunal Federal, que questinou a competência do juiz do Paraná Sérgio Moro de conduzir o processo, em razão do envolvimento de parlamentares. Segundo o advogado Cássio Quirino, Costa chegou pela porta dos fundos da PF e não quis falar com a imprensa.
A decisão da nova prisão preventiva, segundo Moro, foi tomada em resposta ao pedido do Ministério Público Federal, formulado devido a supostas contas que o ex-diretor mantém na Suíça com depósitos de US$ 23 milhões. Para o Ministério Público, mesmo tendo entregue o passaporte à polícia, havia risco de Paulo Roberto Costa fugir do país.
O outro advogado de Costa, Nélio Machado, diz que não há provas de que seu cliente tenha conta no exterior e informou que vai lutar pelo direito de que ele responda em liberdade. “Entendo que a decisão da Justiça Federal do Paraná é questionável, precipitada. Foi feita por justiçamento”, disse o advogado em entrevista na sede da Polícia Federal do Rio, logo após a prisão do seu cliente.
Machado argumentou ainda que a prisão foi decretada após depoimento do ex-diretor da Petrobras à CPI do Senado, na terça (10). “Ele teria uma suposta informação de conta no exterior. Eu não tenho informação disso. Isso tem que ser provado. Meu cliente não tem conta no exterior”, disse. “Ele tem os passaportes entregues e como todo cidadão tem o direito a julgamento. Essa prisão é precipitada.”
Cassio Quirino disse ao G1 que Costa não saiu de casa enquanto estava em liberdade, com excessão para depor na CPI da Petrobras. Ele também relatou que já fez um pedido de reconsideração da prisão de Costa.
O texto da decisão da decisão de Sérgio Moro diz que – “a manutenção de contas secretas no exterior pelo acusado e até o momento ocultadas deste juízo – e do próprio Supremo Tribunal Federal, além da Comissão Parlamentar de Inquérito instalada perante o Senado Federal – indica também risco à aplicação da lei penal, com a possibilidade do acusado evadir-se do país e ainda fruir do patrimônio ilícito mantido às ocultas no exterior e longe do alcance das autoridades brasileiras”. Moro entendeu que o fato de Costa ter entregue o passaporte às autoridades não o impediria de fugir.
O juíz ainda determinou que sejam adotadas “cautelas” para se evitar dano à imagem do ex-diretor na sede da PF em Curitiba.
Acusação
Conforme as investigações da Polícia Federal, o ex-diretor da Petrobras ajudou empresas de fachada mantidas pelo doleiro Alberto Youssef a fechar contratos com a Petrobras, incluindo obras da Refinaria Abreu e Lima, em Pernambuco. Nessa operação, a PF estima que foram desviados R$ 400 milhões da obra, considerada superfaturada pelo Tribunal de Contas da União.
Nesta terça (10), em depoimento à CPI da Petrobras no Senado, o ex-diretor negou desvios em contratos da refinaria, disse que não houve superfaturamento nas obras e que apenas prestou serviços para Youssef como consultor em 2012, quando já estava fora da estatal.
“Não há nada ilegal na Petrobras. Essa suposição de superfaturamento de Abreu e Lima não é real […] Não existe lavagem de dinheiro da Petrobras para Alberto Youssef”
disse Paulo Roberto Costa, em depoimento.
(G1)

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