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Poupança registra captação líquida de R$$ 1,86 bi em fevereiro

Os depósitos na caderneta de poupança superaram os saques em R$$ 1,86 bilhão em fevereiro. Há dois anos, mês após mês, a chamada captação líquida da poupança fica no azul. No entanto, segundo dados do Banco Central divulgados nesta segunda-feira (10) o resultado de fevereiro foi quase 20% menor do que o registrado no mesmo mês do ano passado. No acumulado do primeiro bimestre, a captação líquida de 2014 fechou positiva em R$$ 3,6 bilhões, 22% a menos do que o verificado nos primeiros dois meses de 2013, quando os depósitos superaram os saques em R$$ 4,6 bilhões.
No ano passado, a captação líquida da caderneta foi de R$$ 71 bilhões, desempenho recorde anual na série histórica iniciada em 1995. De junho a dezembro, foram registrados os maiores resultados para cada mês. De acordo com o BC, no mês passado, os depósitos na poupança somaram R$$ 121,9 bilhões, enquanto as retiradas foram de R$$ 120,1 bilhões. Com o desempenho de fevereiro, o saldo total da poupança, que inclui os rendimentos, chegou a R$$ 608,1 bilhões, ante R$$ 602,8 bilhões de janeiro.
Para o professor de Economia e Finanças da PUC-SP, José Nicolau Pompeo, o ambiente deste início de ano está menos favorável para a poupança. Ele cita o crescimento fraco da economia e a alta dos preços, principalmente alimentos, como fatores que impedem que sobre às famílias dinheiro para poupar. “As pessoas priorizam, claro, gastar o dinheiro para a sobrevivência”, afirma.
Obrigações
Os juros elevados, que encarecem as dívidas, é outro fator que impede que as pessoas poupem mais, segundo o professor. Na sua visão, os brasileiros deixam de poupar para fazer frente às obrigações que assumiram anteriormente. Tradicionalmente, a captação líquida da poupança é menor nos primeiros meses do ano, quando há cobrança de impostos, como o IPTU e o IPVA, e despesas sazonais, como matrícula e material escolar, o que faz com que se diminua a parcela do orçamento doméstico destinada às reservas.
No fim do ano, com o pagamento do 13º salário, a poupança costuma ter resultados melhores. Em dezembro de 2013, os depósitos superaram os saques em expressivos R$$ 11,2 bilhões – o maior volume já alcançado em único mês. Pompeo ainda destaca o fato de que o BC vem aumentando, desde abril do ano passado, a taxa básica de juros. Os 3,5 pontos porcentuais de elevação na Selic, para 10,75% ao ano, deixam outros tipos de investimento mais atrativos, como o Certificado de Depósito Bancário (CDB DI).
Os títulos pós-fixados, que acompanham a variação de um índice, como a Selic, ficam mais vantajosos. Mesmo assim, para ele, a maioria da população reduziu a quantidade de dinheiro que coloca na poupança principalmente por conta da inflação “muito acima do que esperava o governo”. “O endividamento pega de um lado, a inflação salgada impõe restrições de outro: não sobra quase nada para guardar”, resume.
(Correio)

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