Pesquisa ajuda a prever os piores tipos de vírus da gripe


Cientistas criaram um novo modelo para prever a evolução do vírus da gripe de um ano para o outro. A descoberta pode ajudar a selecionar as cepas que serão utilizadas para a produção de novas vacinas. Os resultados foram publicados na revista Nature, nesta quarta-feira.
A evolução do vírus é um processo complexo, no qual diferentes cepas competem entre si, em uma espécie de corrida para ver qual será mais bem-sucedida em infectar os humanos. Para ajudar na produção de vacinas, os pesquisadores buscaram prever quais tipos do vírus seriam os “vencedores”.A gripe é uma das principais doenças infecciosas que atingem o homem. Instituições como a Organização Mundial de Saúde (OMS) monitoram há décadas as cepas sazonais do vírus — que sofre transformações frequentes — e, com base nesses dados, alguns deles são selecionados para a produção da vacina, duas vezes por ano.
Segundo Marta Łuksza, pesquisadora da Universidade Columbia, nos Estados Unidos, e uma das autoras da descoberta, o trabalho representou um desafio do ponto de vista científico, já que existem poucos sistemas na natureza em que previsões quantitativas da evolução são possíveis. “Enquanto o pensamento evolucionista tradicional se preocupa com a reconstituição do passado, nós tivemos que desenvolver ideias de como alcançar o futuro”, explica.
Tendo como ponto de partida o princípio darwiniano da sobrevivência do mais apto, os pesquisadores determinaram o que torna o vírus mais adequado para seu papel de infectar humanos: manter uma taxa elevada de mutações, para escapar à resposta imune de cada um, e ser capaz de se conservar, já que as mutações podem afetar funções essenciais do vírus, como a produção de proteínas. Estudando o genoma do vírus, eles conseguiram prever quais cepas tinham as melhores combinações desses dois fatores — e, assim, chances de infectar muitas pessoas. Apesar de ser voltada para a gripe, a pesquisa mostra uma ligação entre a evolução e suas consequências epidemiológicas, que é relevante para qualquer patógeno de evolução rápida.
(Veja)

