Governo pode criar ambiente mais previsível para facilitar negócios

Os empresários se queixam de vários pontos: há aquelas queixas tradicionais sobre o ambiente de negócios hostil – aumentaram as incertezas, após o governo interferir em alguns setores. Dizem também que não há interlocutor, gente para ouvir e entender a complexidade de cada setor. Isso é necessário, mas também tem um perigo. Quando se ouve o “choro” de cada um, pode-se fazer um governo cercado de lobbies; quem tem mais possibilidade de chegar até ele consegue mais vantagens.
No governo Dilma, vimos o pior dos dois mundos: de um lado, segmentos que não são ouvidos sobre decisões técnicas que provocarão problemas – isso se viu no setor elétrico, por exemplo. Por outro lado, o governo foi todo ouvidos com o setor automobilístico, concedendo tudo o que o segmento pedia. Assim, concedeu favores para alguns segmentos, em vez de resolver os problemas estruturais da economia, e fez intervenções desastrosas em algumas áreas. O caso mais dramático é esse que está em curso, se agravando a cada dia, que é o da energia. Para resolver um problema criado por ele mesmo, cria uma gambiarra, que gera outro problema e assim vai.
Amanhã, o ministro Mantega terá uma reunião com empresários. Como sempre faz, deve mostrar gráficos, dizer que a economia está bem, compará-la com a de outros países. Não resolve nada, porque não muda o ânimo. Há uma crise de desconfiança em relação a algumas questões. Quem pensa em fazer uma nova fábrica, por exemplo, está pensando se vai ter energia suficiente.
A melhor forma de gestão é se preparar para o pior. Porque assim o país vai se prevenindo contra determinado risco. Se ele não vier, melhor. Mas medidas de cautela são necessárias. Um governo não pode desconsiderar o pior cenário, principalmente numa área tão sensível como a de energia.
Não se pode atender a todas as demandas dos empresários, 100% delas e, assim, correr o risco de cair no lobby deles. Porém, o governo pode criar um ambiente estável e previsível, porque a imprevisibilidade é a pior coisa no mundo dos negócios.
(Blog Míriam Leitão)


