Economista calcula peso da alta dos combustíveis na inflação

A gasolina continua sendo subsidiada e a Petrobras ainda compra o produto lá fora mais caro do que vende aqui dentro, mas o preço do combustível nas bombas já subiu. E vai bater na inflação deste mês. O impacto, segundo o economista André Braz, da FGV, será moderado. Mas antes de ele explicar a intensidade dele, vale lembrar por que o combustível subiu: é que a entressafra da cana pressiona o preço do etanol, alinhado ao do álcool anidro, aquele misturado à gasolina.
Pelas contas do economista, a alta do etanol já vai afetar a inflação deste mês. Segundo o Monitor da Inflação da FGV, que simula os impactos no IPCA, o etanol deve avançar 4% e a gasolina, menos de 1%.
– Assim, a contribuição desses combustíveis para a inflação de março deverá ser de aproximadamente 0,06 ponto percentual em conjunto – diz Braz.
O economista explicou ao blog que o etanol compromete 0,9% do orçamento familiar, o que significa que para cada 1% de aumento, o impacto no índice será de 0,01 ponto percentual. Já a gasolina compromete 3,9%; para cada 1% de aumento, o IPCA sofre impacto de 0,04 ponto percentual.
– Essa alta, impulsionada por fatores sazonais (entressafra da cana), não deve se sustentar por vários meses. Em maio, início da safra, parte dessas altas devem ser devolvidas. Apesar disso, esperamos para 2014 um novo reajuste para a gasolina que deverá promover um impacto permanente na inflação ao consumidor – afirma.
Por Valéria Maniero


