Evo Morales critica Justiça boliviana no caso dos corintianos

“O que está se passando com a Justiça boliviana? Se tem que acusar, tem que acusar um, não onze”, disse Evo Morales, ressaltando que em seu país há independência dos poderes Executivo e Judiciário. “Lamento a morte (de Kevin Espada). Achei que eles (os torcedores corintianos) tivessem sido presos no estádio, não na rua”, emendou o presidente.
Na sexta-feira, os cinco últimos torcedores corintianos foram libertados na Bolívia – os outros sete já tinham saído da prisão no começo de junho. Os 12 alegaram inocência, mas foram mantidos presos em Oruro enquanto aconteciam as investigações sobre o caso. O governo brasileiro chegou a atuar diplomaticamente para que eles fossem soltos.
Evo Morales disse estar contente com a liberação dos torcedores e elogiou a postura do Corinthians de “solidariedade com a família do torcedor (Kevin Espada)” – o clube fez uma doação de U$$ 50 mil à família do garoto de apenas 14 anos, atingido por um sinalizador dentro do estádio, ainda durante a realização do jogo contra o San Jose em Oruro.
Com a libertação dos 12 torcedores, o processo pode ser encerrado sem que o autor do disparo seja efetivamente punido. Já de volta ao Brasil, após ter ido ao jogo em Oruro, um corintiano de 17 anos, identificado como H.A.M., assumiu ter soltado o sinalizador no estádio – por ser menor de idade, o jovem é inimputável pelas leis brasileiras; além disso, não pode ser extraditado para a Bolívia.
Evo Morales participou neste domingo do XIX encontro do Foro de São Paulo, que reúne organizações de esquerda da América Latina e do Caribe. O evento ocorreu em um hotel na região central de São Paulo.

