SaúdeSem categoria

Vacina oral contra hepatite B será testada

O Instituto Butantan deverá iniciar, em breve, testes clínicos de uma vacina oral contra hepatite B que promete ter a mesma eficácia da vacina injetável, mas mais fácil de ser aplicada e com custo mais baixo.
O anúncio foi feito por Osvaldo Augusto Brazil Esteves Sant’Anna, pesquisador do Instituto Butantan, durante conferência proferida nesta terça-feira (23/07) na 65ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), em Recife (PE).
“O protocolo para iniciar os testes clínicos da vacina está sendo preparando. A vacina é importante mundialmente por mudar um paradigma de vacinação”, disse Sant’Anna, à Agência FAPESP.
De acordo com o pesquisador, um dos desafios para se administrar vacinas por via oral é fazer com que os antígenos (responsáveis pela imunização) cheguem ao sistema imune, localizado fundamentalmente no intestino.
A dificuldade ocorre porque é difícil atravessar o suco gástrico – que possui acidez muito alta, além de proteases (enzimas que quebram proteínas) – e chegar incólume ao intestino, a partir de onde será realizada a ação de imunização. Por esse motivo, um dos únicos exemplos de vacina administrada por via oral atualmente no mundo é a Sabin, utilizada para imunizar crianças contra a poliomielite.
Sant’Anna, em colaboração com Marcia Fantini, professora do Instituto de Física da Universidade de São Paulo (USP), desenvolveu uma forma de encapsular e proteger os antígenos da ação do suco gástrico.
Com o uso de nanotubos de sílica – o segundo elemento mais presente na natureza –, os pesquisadores conseguiram que os antígenos da vacina de hepatite B atravessassem a barreira gástrica e chegassem intactos ao intestino.
“Os nanotubos de sílica têm estrutura parecida com favos de mel, com poros onde é possível inserir e encapsular antígenos”, explicou Sant’Anna, que coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Toxinas – um dos INCTs financiados pela FAPESP e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq) no Estado de São Paulo.
Os primeiros testes da vacina com sílica em camundongos foram realizados em 2001 e 2002, com uma vacina recombinante (feita de vírus geneticamente manipulados) contra hepatite B produzida pelo Instituto Butantan.
(Exame)

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *