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Adesão da Ufba ao Sisu causa polêmica

A decisão da Universidade Federal da Bahia (Ufba), na última quarta-feira, 19, de adotar o Sistema de Seleção Unificada (Sisu) tem causado polêmica entre estudantes e professores. Com a mudança, fica extinta a segunda fase do vestibular e o processo seletivo passa a levar em conta apenas a nota obtida no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).
Muitos estudantes têm o receio de que – com  o Sisu -, aumentará a concorrência pelas vagas da Ufba, uma vez que essas ficariam disponíveis para candidatos de todo o país. “Não vamos mais concorrer só com a Bahia, mas com o Brasil inteiro”, afirmou o estudante do 3º ano do ensino médio Davi Souza, 17.
É o que também afirma Tailine Ribeiro, 21, que tentará o vestibular para medicina. “Os estudantes da Bahia podiam mostrar seu diferencial na segunda etapa, por já estarem habituados com essa prova”, disse.

O pró-reitor de graduação da universidade, o professor Ricardo Miranda, apresenta um contraponto. “Um aluno de Salvador que quer entrar na Ufba vai enfrentar mais candidatos.  Por outro lado, o  aluno do interior ou de outro estado que não podia vir fazer as provas terá o acesso facilitado”, disse
Democratização – Segundo Miranda, o sistema do vestibular criava “uma espécie de exclusão baseada na condição financeira das famílias”, deixando de fora aqueles candidatos que não podiam arcar com os custos da viagem até o local de prova.
Assim,  de acordo com o pró-reitor, a adesão ao Sisu seria uma maneira de “democratizar as possibilidades de acesso ao ensino superior brasileiro”.
Quem concorda com essa opinião é o pedagogo Zelão Teixeira, que defende o Enem como um processo mais justo que o vestibular tradicional. “Não há condições de seguirmos como estávamos, alunos de escolas privadas ocupando as universidades públicas, através de um acesso conteudista e quase nada significativo para a moçada seguir suas escolhas”, disse.
Para ele, as questões do Enem exigem uma outra forma de raciocínio, valorizando  a formação geral dos alunos. “O Enem  tem outro paradigma. Isso implica em alterações profundas na maneira de planejar, definir conteúdos. Vai acabar aquela coisa viciada de aulas feitas só para a Ufba”, afirmou.
Cultura local – Uma outra crítica à extinção da segunda fase do vestibular diz respeito aos conhecimentos específicos da Bahia, que não são contemplados pelo Enem. “Não é o melhor método de seleção porque desconsidera os aspectos regionais”, disse o estudante do 3º ano do Ensino Médio Marcus Vinícius Santos, 17.
A professora de geografia e diretora do Colégio Oficina Márcia Kalid, que há 25 anos acompanha os vestibulandos, também lamenta o fim da segunda etapa. “É uma prova feita no eixo Rio-São Paulo, que você poderia regionalizar na segunda fase. Isso obviamente não vai acontecer”, disse.
Embora afirme gostar da linha de cobrança do Enem, ela ressalta que perder as provas escritas prejudicam a avaliação. “Perde-se em qualidade. Na disciplina de português, também não serão cobradas as obras literárias que faziam parte da segunda fase da Ufba”, afirmou Márcia.
O maior alvo de críticas, porém, foi a data de divulgação da mudança. “Achei uma falta de respeito, porque disseram que iriam avisar em março”, reclamou a estudante Catarinne Nogueira, 19.
Ricardo Miranda, porém, declarou que a demora se deu devido à greve de professores em 2012, que atrasou o calendário acadêmico.
(A Tarde)

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