Que ao final, vença a liberdade de expressão do trabalho jornalístico

A condição democrática pressupõe liberdades individuais e profissionais, e esse direito não pode ser arbitrado por quem quer que seja, ao contrário, deve ser protegido para que seja garantido.
Os sistemas políticos que tentam restringir o trabalho da imprensa são conhecidos em todo mundo como ditaduras. O que faz com que o Brasil esteja em rankings junto com países como o Equador, Síria, Somália, Irã, Vietnã, Etiópia, Turquia, Paquistão e Rússia? Sim, isso mesmo, a tentativa de tornar dificultada a ação de jornalistas para que os regimes possam continuar a cometer seus desmandos e oprimindo a população.
Temerário está nosso país, onde o controle da imprensa tenta ser feito com ações judiciais, assassinatos, agressões, ameaças e má distribuição das verbas publicitárias. Como imaginar um país democrático, onde a sensação é de que estamos sempre ferindo o tal “estado de direito”?
Não imaginei que no auge da juventude, e que apesar das trilhas percorridas, pudesse ver tentativas de limitar ou condicionar o trabalho da imprensa. Mesmo em tempos de chumbo e chicote, a imprensa tinha temores em relação aos “donos do poder”, mas havia respeito. E a força motivadora da profissão impulsionava os belíssimos trabalhos de investigação no âmbito político. Até mesmo, os bandidos de paletó ou maltrapilhos respeitavam a atividade jornalística. Lembro-me que eram anos nublados, mas os impressos davam gosto de ler a cada dia, pois os jornalistas e fotógrafos eram respeitados.
Hoje, tenho a grata surpresa de ver homens que outrora admirava, outros que até nutria certa admiração, mas todos querendo ocultar suas atitudes nos plenários e palácios, e para isso, não se furtam de sua condição ofertada pelo povo para fazer sucumbir a democracia que pregam em seus discursos eloquentes. Mas, nos subterrâneos de suas consciências possuem professoral capacidade de querer tomar poder dos direitos inaliáveis alheios. Há se fosse somente tomar poder de direitos.
O jogo político sempre será jogado, e nós que tentamos tornar público, o quanto desastrosa pode ser uma sociedade com representantes desqualificados, egocêntricos e desajuizados. Isso sem falar com a sempre delicada situação daqueles que sempre estão enfrentando as barras dos tribunais. Pobre Nação, pobres estados e pobres cidades. Sofre o povo, morre a democracia.
Falando em nossa província, sim, a Soterópolis, a recente decisão da Mesa Diretora da Câmara Municipal de limitar o trabalho dos profissionais de imprensa, oferecendo apenas uma disputa de cadeiras com os assessores das comissões temáticas é algo que suscitou um debate nas redes sociais. A indignação não pode ser personalizada na figura do presidente da Casa, vereador Paulo Câmara (PSDB). Apesar de qualquer ressalva, quero acreditar que o mandatário maior apenas fez prevalecer a vontade de uma bancada de “um homem só” sugerida no Colégio de Líderes.
E se assim, comportou-se o tucano presidente foi por decisão da maioria dos membros daquele colegiado. Certamente que poderia ter feito ponderações antes de acatar, pois como figura central do Legislativo Municipal, com o mesmo poder conferido pelos pares para dar-lhes aulas dobre o Regimento Interno fazendo a leitura das regras, poderia também ter considerado que as condições de infra-estrutura da Casa não permitem que nem vereadores, assessores, profissionais de imprensa e demais colaboradores possam ter qualquer conforto mínimo para trabalhar.
Se não for negado o total acesso ao plenário, de certo que gostarei de ver, os colegas de emissoras de tevê e dos veículos da considerada grande imprensa tendo que ficar sentadinhos no local determinado. Ou será que terão privilégios especiais? Não, as regras estão sendo devidamente cumpridas naquela Casa. Ou será que não estão sendo?
Não adiantarão manobras daquelas que tentam esconder-se no manto da sua incompetência ou inapetência. A imprensa livre buscará sempre a direção da informação precisa, mesmo que para isso tenha que suportar figuras egocêntricas que costumam não respeitar as palavras que pregaram por toda a vida.
De certo, que vários vereadores que compreendem a liberdade e respeitam todo e qualquer trabalhador, deverão posicionar-se sobre tal situação, mesmo que isso venha custar qualquer dissabor, pois se tal decisão foi tomada no colégio de líderes, pressupõe-se que tenha sido um consenso das bancadas representadas pelos seus respectivos condutores.
A imprensa tem pautado todas as sessões ordinárias, pois são discursos sempre proferidos a partir de alguma matéria jornalística. Usam aos seus modos e costumes: atacam ou defendem-se com os textos feitos pelos jornalistas. Em alguns casos, até questionam opiniões publicadas, como estas linhas escritas de maneira peculiar.
Ao final dessas contidas palavras, o que cabe é saber que essa decisão será revista pelo bem da democracia e do protagonismo social em nossa cidade.


