Falta de médicos força moradores do interior a se tratarem em Salvador

Se a proporção de 1,25 médico para cada mil pacientes na Bahia já é muito aquém do necessário (o estado é o 18º no ranking quantidade de médicos, segundo estudo do Conselho Federal de Medicina), se for considerado apenas o interior do estado, a situação é ainda pior: 60% dos profissionais baianos estão concentrados em Salvador, o que resulta numa média de 0,6 médico para cada mil habitantes no interior do estado.
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A secretária de Saúde de Crisópolis, Joseane de Souza, explica que falta verba para contratar mais do que os 17 médicos disponíveis na cidade de 20 mil habitantes. Desses, dois se revezam no atendimento da emergência e outros cinco atendem em postos . Entre os especialistas, faltam dermatologista, obstetra, neurologista, gastroenterologista e ultrassonografista.
A secretária de Saúde de Crisópolis, Joseane de Souza, explica que falta verba para contratar mais do que os 17 médicos disponíveis na cidade de 20 mil habitantes. Desses, dois se revezam no atendimento da emergência e outros cinco atendem em postos . Entre os especialistas, faltam dermatologista, obstetra, neurologista, gastroenterologista e ultrassonografista.
“Cirurgião a gente tem, mas só para encaminhar os pacientes, porque não temos centro cirúrgico”, diz ela. “Assumimos a prefeitura e estamos organizando. O laboratório era terceirizado na gestão passada, mas agora já compramos os equipamentos”.
Dentro do ônibus da prefeitura de Cipó, a 240 quilômetros de Salvador, o lavrador Eduardo Soares dos Santos aguardava para ir embora. Há dez dias, ele sofreu um acidente de moto, após uma fechada de um carro. Na época, foi levado para o hospital de Ribeira do Pombal, onde foi feito somente o raio-x do tórax.
Dentro do ônibus da prefeitura de Cipó, a 240 quilômetros de Salvador, o lavrador Eduardo Soares dos Santos aguardava para ir embora. Há dez dias, ele sofreu um acidente de moto, após uma fechada de um carro. Na época, foi levado para o hospital de Ribeira do Pombal, onde foi feito somente o raio-x do tórax.
Mas ele chegou ontem a Salvador com dores fortes na cabeça. “Em Cipó e Ribeira do Pombal não faz raio-x na cabeça e não tem neurologista. No hospital de Cipó, no dia do acidente, só me deram uma injeção e nada mais. Isso é complicado!”, reclamou.
A falta de especialistas também é um problema relatado por Cíntia Rosemberg, secretária de Saúde de Cairu, no Sul da Bahia. “A gente até que tem médicos suficientes. São 17 para 15 mil habitantes, mas não temos como atender pacientes de média e alta complexidades”, conta.
A falta de especialistas também é um problema relatado por Cíntia Rosemberg, secretária de Saúde de Cairu, no Sul da Bahia. “A gente até que tem médicos suficientes. São 17 para 15 mil habitantes, mas não temos como atender pacientes de média e alta complexidades”, conta.
Entre os atendimentos que não podem ser realizados estão incluídos até os partos, que são feitos na vizinha Valença. Além disso, todos os dias, uma van com 12 pacientes com consultas agendadas segue para Salvador. Cíntia também reclama que a pouca oferta de médicos tem inflacionado muito os salários.
Cremeb critica soluções da Sesab
Entre as medidas que a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) destaca para minimizar o problema da concentração de médicos em Salvador estão a construção de um hospital em Seabra (sem data para conclusão) e o Provab, que vai levar 665 médicos recém-formados para 193 municípios.
Entre as medidas que a Secretaria de Saúde do Estado da Bahia (Sesab) destaca para minimizar o problema da concentração de médicos em Salvador estão a construção de um hospital em Seabra (sem data para conclusão) e o Provab, que vai levar 665 médicos recém-formados para 193 municípios.
Em contrapartida, esses profissionais sairiam na frente nas provas de residência que fizessem na capital. “Isso me preocupa, porque esses médicos não são especializados em nada e não serão acompanhados por profissionais experientes”, observa o presidente do Cremeb, José Abelardo de Menezes.
A Sesab também cita a Fundação Estatal de Saúde, que após concursos para médicos escolhe para onde os aprovados irão trabalhar. Após três anos, eles podem se mudar. “A ideia é boa, mas só 69 municípios pequenos toparam participar”, critica.
(Correio)

