Ingestão de vitaminas não reduz o risco de problemas cardíacos em homens


Uma pesquisa feita na Universidade de Harvard, nos Estados Unidos, mostrou que, ao contrário do que muitos acreditam, a ingestão diária de suplementos vitamínicos não reduz o risco de doenças cardiovasculares em homens. Segundo os autores do estudo, que foi publicado nesta segunda-feira no periódico JAMA, da Associação Médica Americana, esse é o maior trabalho já feito sobre o efeito das vitaminas sobre a saúde cardíaca.
Os pesquisadores acompanharam, ao longo de 11 anos, 14.641 homens que, no início do estudo, tinham uma idade média de 64 anos. Durante esse período, metade desses participantes tomou cápsulas multivitamínicas (contendo vitaminas A, B, C, D e E) e o restante recebeu doses de placebo.
No período de duração da pesquisa, 2.757 homens (ou 18,8% dos participantes) morreram em decorrência de doenças cardiovasculares, como um ataque cardíaco ou um acidente vascular cerebral (AVC). Entre esses indivíduos, 1.345 haviam ingerido vitaminas e 1.412, placebo. Segundo os pesquisadores, a diferença entre o número de mortes dos dois grupos não foi estatisticamente significativa. Portanto, a equipe concluiu que a ingestão de multivitamínicos não afeta o risco de doenças ou de mortes por problemas cardiovasculares.
Em um editorial que acompanhou o estudo, Eva Lonn, pesquisadora da Universidade McMaster, no Canadá, escreveu que “dados sólidos de diferentes estudos confirmam que (as doenças cardiovasculares) não podem ser evitadas ou tratadas com vitaminas”. No entanto, ela lembra que é comum que pessoas que têm fatores de risco de doenças do coração ou que já sofreram algum evento cardiovascular tenham hábitos ruins à saúde, como sedentarismo, alimentação inadequada e tabagismo, mas façam uso regularmente de vitaminas ou outros suplementos dietéticos “com a esperança de que isso prevenisse futuros infartos do miocárdio”, escreveu. Para Lonn, então, o descuido com a prevenção de doenças cardiovasculares “é o maior prejuízo de utilizar vitaminas e outros suplementos não testados.”
(Veja)

