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Novo porto traz esperanças de revitalização para a Cidade Baixa:Parte 1

Áreas portuárias, antes degradadas, se transformam após a revitalização e se tornam pólos de turismo, econômico e até habitacional. É o caso do Puerto Madero, em Buenos Aires, na Argentina, de Marselha, na França, de Hamburgo, na Alemanha, de Liverpool, na Inglaterra, de Lisboa, em Portugal, além de Belém, no Pará, entre outras cidades.

Em Salvador, o processo acontece ao contrário, como é o caso do Comércio, da Calçada e Avenida de Contorno/Largo Dois de Julho, que começou antes da requalificação do Porto, que agora vai ganhar um moderno terminal turístico. A expectativa é que o processo desenvolvido pela Prefeitura do Salvador chegue até a Península de Itapagipe.
O Porto de Salvador foi, durante os primeiros séculos do Brasil Colônia, o mais movimentado das Américas e era chamado de Porto Brasil, por onde chegavam as mercadorias da metrópole. No local onde futuramente seria construído o equipamento, havia os atracadouros dos famosos e influentes trapiches.
As obras de modernização foram realizadas no século XX e, em 13 de maio de 1913, o Porto de Salvador foi inaugurado. Com 750 metros de comprimento e seis armazéns, ele só ganharia o sétimo armazém em 1916.
A área portuária de atuação destes antigos armazéns ia da Gamboa até Itapagipe. O projeto de modernização desta área levou anos para sair do papel, por influência dos donos de trapiches, que viam nisso seus interesses contrariados. O episódio ficou conhecido como “A grande questão das docas da Bahia”.
Os comerciantes de Salvador se dividiram entre os que queriam a modernização e os que não queriam, que eram os donos de trapiches. A luta contextualizou-se num período de transição de uma sociedade mercantil-escravocrata para uma sociedade capitalista, na segunda metade do século XIX.
Entre 1854 e 1891 foram indeferidos inúmeros projetos de modernização pelo governo central. A capital baiana perdia vantagem econômica em relação ao centro-sul cafeeiro, por não ter um porto moderno. Somente quando J. J. Seabra assumiu o Ministério da Justiça e posteriormente o governo da Bahia, é que a obra foi realizada. Os donos de trapiches perderam sua influência político-econômica, pois as mercadorias que chegavam eram alfandegadas.

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