Mapa eleitoral mostra divisão entre ricos e pobres na cidade

A distribuição dos votos na disputa da Prefeitura de Salvador nas 20 zonas eleitorais revela uma cidade geograficamente dividida entre bairros nobres e populares. Enquanto o candidato ACM Neto (DEM) teve um desempenho superior nos bairros de classe média e classe média alta, o candidato Nelson Pelegrino (PT) teve uma maior votação em regiões mais pobres da cidade.
Do total das 20 zonas eleitorais, Neto saiu vencedor em 11 delas. A maior votação do candidato democrata aconteceu na 1ª zona, que compreende bairros como Barra, Ondina, Graça, Canela e Garcia. Nesta área, ACM Neto obteve 60,9% dos votos válidos contra 25,1% de Pelegrino. A segunda maior votação foi registrada na 12ª zona – de bairros como Pituba, Itaigara e Costa Azul – onde o democrata registrou 59,5% dos votos contra 24,4% do petista.
Pelegrino, por sua vez, saiu vencedor em nove das 20 maiores zonas eleitorais. Seu melhor resultado foi na 4ª zona eleitoral, que inclui bairros como Paripe, Periperi, Fazenda Coutos e as Ilhas dos Frades e de Maré. Nesta região, o petista obteve 52,8% dos votos contra 26,6% de ACM Neto. O segundo melhor resultado foi registrado na 15ª zona, que inclui Itacaranha, Escada, Praia Grande. Nestes bairros, que também fazem parte do subúrbio ferroviário, a vitória de Pelegrino foi por 48,2% contra 30,7% de Neto.
Estratégias – Apesar da divisão estabelecida nas urnas, os quartéis-generais de Pelegrino e ACM Neto minimizam os resultados por bairro na estratégia de campanha para o segundo turno, cujos programas do horário eleitoral começam na próxima quinta-feira. Responsável pela campanha de ACM Neto, Pascoal Gomes vê homogeneidade na votação do democrata. E diz que o programa seguirá falando para todos os bairros. “Nosso discurso é voltado para a cidade inteira”. Contudo, ele admite ser natural um reforço na campanha nos bairros em que o candidato teve menor votação.
Presidente estadual do Democratas, José Carlos Aleluia também reitera que o discurso será voltado para toda a cidade: “Salvador é uma cidade só e não pode ser tratada de forma separada”. Segundo ele, o PT é quem buscou construir um discurso que dividisse a cidade entre ricos e pobres. “Pelegrino é mestre em dividir a cidade. Ele já fez isso em campanhas anteriores e acabou perdendo a eleição”, afirma.
Marqueteiro da campanha de Pelegrino, Sidônio Palmeira diz que o programa do candidato petista seguirá com a estratégia de apresentar propostas, contemplando assim todas as classes sociais e bairros da cidade. Contudo, ele destaca que determinadas propostas, como as obras nos 12 pontos críticos do trânsito e a recuperação da orla, são de maior apelo junto à classe média.
“Isso demonstra que Nelson tem presença em toda a cidade, ao contrário do outro candidato que vive em Brasília e não traz obras para Salvador”, alfineta. Em entrevista coletiva na tarde de ontem, Pelegrino afirmou que vai montar estratégia para “explicar melhor” à classe média as propostas: “Nosso governo será um só para toda a cidade”.(A TARDE)


