Derrotas de campeões mundiais aumentam decepções do Brasil em Londres

Depois do melhor começo de Olimpíada da história, com um ouro, uma prata e um bronze logo no primeiro dia, a participação brasileira foi marcada desde então por mais frustrações do que por glórias, nos Jogos que antecedem a realização da Rio-2016.
Cesar Cielo, que chegou à capital britânica com o status de principal atleta olímpico brasileiro após o título em Pequim-2008 e uma sequência de bons resultados nos 50m livre –incluindo um recorde mundial– admitiu a decepção por ter visto o ouro de quatro ano atrás virar bronze.
Antes dele, o judoca líder do ranking mundial dos meio-médios, Leandro Guilheiro, deixou Londres sem subir ao pódio pela primeira vez em sua terceira participação olímpica, e a seleção feminina de futebol, medalha de prata nas duas últimas Olimpíadas, foi eliminada nas quartas de final pelo Japão e ficou fora até da briga pelo bronze.
Até o vôlei, em que o Brasil se tornou uma potência mundial e conquistou medalhas em todos as Olimpíadas desde 1992, é motivo de decepção. A seleção feminina, atual campeã olímpica, precisa torcer contra a Turquia na última rodada para não ser eliminada, e os homens já perderam para os EUA num reencontro da final de quatro anos atrás, que também foi vencida pelos norte-americanos.
Neste sábado foi a vez de dois campeões mundiais em 2011, que faziam parte da lista de medalhistas esperados do Comitê Olímpico Brasileiro para atingir a meta de 15 pódios em Londres, darem adeus à competição bem antes do esperado.
Apesar de dificilmente ter condições de brigar pelo ouro com a russa recordista mundial do salto com vara, Yelena Isinbayeva, a brasileira Fabiana Murer chegou a Londres com a 3a melhor marca do mundo no ano (4,77m) e, repetindo seu recorde pessoal de 4,85m, dificilmente ficaria fora do pódio.
Em busca de conseguir alcançar Isinbayeva na casa dos 5 metros, a brasileira mudou sua forma de saltar a partir do fim de 2011 e, ainda sem consistência, acabou não superando o sarrafo a 4,55m.
No boxe, Everton Lopes, o primeiro campeão mundial do Brasil e que carregava a maior esperança da modalidade de voltar ao pódio olímpico pela primeira vez desde 1968 na Cidade do México, perdeu logo em seu primeiro combate em Londres, para o cubano Roniel Iglesias Sotolongo.
“Da mesma forma que acontecem as surpresas negativas acontecem as surpresas positivas. Alguns favoritos nossos perderam, mas temos muitas possibilidades ainda e favoritos de outros países também podem não vencer”, disse à Reuters o chefe da delegação brasileira em Londres, Bernard Rajzman.
ESPERANÇA NOS COLETIVOS
A lógica de Bernard se encaixa ao que aconteceu com o judô brasileiro na Olimpíada. Além de Guilheiro, outros favoritos como Tiago Camilo e Rafaela Silva não chegaram ao pódio, mas Felipe Kitadai e Rafael Silva superaram as expectativas pré-Jogos e possibilitaram que a equipe alcancesse a meta estabelecida de 4 pódios na capital britânica.
Sarah Menezes, que conquistou o ouro olímpico, e Mayra Aguiar foram as outras medalhistas da modalidade. O Brasil também conquistou uma prata com o nadador Thiago Pereira, somando 6 medalhas por enquanto na Olimpíada (1 ouro, 1 prata e 4 bronzes).
Na segunda e última semana da Olimpíada as expectativas de medelha recaem principalmente sobre os esportes coletivos.
“Vamos esperar porque ainda tem muita Olimpíada pela frente e é importante ressaltar que temos uma força muito grande nos esportes coletivos, que ainda vão distribuir as medalhas”, afirmou Bernard, medalhista de prata com o vôlei em Los Angeles-1984.
A seleção do técnico Mano Menezes está invicta e avançou para as semifinais ao derrotar Honduras, mantendo viva a busca pela inédita medalha olímpica de ouro para o futebol.
Três das quatro duplas de vôlei de praia também não perderam ainda e têm chances reais de chegar ao pódio, enquanto o basquete masculino e o handebol feminino fazem em Londres uma campanha capaz de levá-los a disputar uma medalha.
Um pódio que já está garantido é o do velejador bicampeão olímpico Robert Scheidt, na classe Star, na qual ele tem Bruno Prada como parceiro.
A cor da medalha, no entanto, só será definida na regata final de domingo. Nas outras classes, no entanto, o Brasil não deve brigar pelo pódio.
A meta de 15 medalhas estabelecida pelo COB para Londres visa repetir o número de Pequim-2008, que foi recorde para o país. O maior número de medalhas de ouro, no entanto, foi em Atenas-2004, com 5 ouros entre 10 medalhas, ante 3 ouros dos Jogos da China.(Reuters) –

