PP e PDT se articulam para apoiar o PT

Depois de ter dado a maior rasteira de que se tem notícia num candidato próprio, o PP agora trabalha para amansá-lo. João Leão, o claudicante pré-candidato do PP à Prefeitura de Salvador até esta semana, que tem um sobrenome animal, está praticamente fora do páreo.
Foi surpreendido com o anúncio da renúncia do secretário municipal de Transportes e Infraestrutura, José Mattos, no início da semana, para participar da chapa do pré-candidato Nelson Pelegrino (PT) como vice. Duro na queda, Leão ainda tentou dizer que Mattos deixava a Prefeitura para assumir sua vice.
Mas logo foi desmentido pelos fatos. Foi no que deu ter estendido demais a corda das divergências com o deputado federal Mário Negromonte, com quem dividiu há anos, na mais perfeita harmonia e simbiose, o comando do PP na Bahia. A vice de Pelegrino para Mattos é uma sacada de Negromonte.
Interessado em se manter na base do governo Jaques Wagner (PT), Negromonte, como bom amigo, vinha alertando Leão de que devia acordar logo do sonho de concorrer à Prefeitura de Salvador. Mas Leão achou que era o rei do reino animal e não precisava entrar em estado de vigília.
O resultado é que, agora, sem o brinquedo de concorrer à sucessão municipal mais às mãos, Leão teria virado uma fera ferida. Fazê-lo superar o golpe é a principal tarefa hoje no PP para que o anúncio oficial do apoio a Pelegrino conte com sua presença e, mais do que isso, participação.
Com um carinho, ele vai conseguir.
O PDT baiano segue o mesmo caminho. Embora prefira fazer um grande suspense, tudo indica que os pedetistas na Bahia vão apoiar Nelson Pelegrino, nome do PT à sucessão municipal.
A menos que o presidente nacional, Carlos Lupi, esteja também determinado a matar de desgosto o presidente da Assembleia Legislativa, o deputado Marcelo Nilo, figura mais proeminente do PDT no Estado cujo amor por Wagner é muito maior do que o de muito petista emproado que anda lado a lado com o governador. Nilo está movendo céus e terra para a legenda fechar com o PT.
O problema é que dificilmente os pedetistas terão participação na chapa de Pelegrino. O nome mais interessante e novo que havia surgido para disputar a vice de Pelegrino no PDT era o do deputado federal Félix Mendonça Jr., embora muita gente no partido preferisse o de sua irmã, Andrea Mendonça, vereadora em Salvador, que, no entanto, não está filiada ao partido.
Félix vinha desfilando com tanta desenvoltura como uma boa alternativa para o posto que, na corrente que via, no momento atual, a chance de o PDT se desvencilhar de vez do PT em Salvador, seu nome chegou a ser cogitado para vice também do candidato adversário ACM Neto.
Pela opção que fez em Salvador e deve ser anunciada neste fim de semana, o PDT vai, entretanto, ficar caladinho, sem condições de pleitear nem uma coisa nem outra. Deve ter lá suas muitas razões.(Tribuna)

