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Espadeiros querem tradição de volta

O tradicional guerra de espadas que acontece a mais de 150 anos em Cruz das Almas, a 146 km de Salvador, tem sido alvo de protestos por parte de habitantes da cidade que querem tornar o evento em Patrimônio Cultural da região. Uma decisão do Ministério Público Estadual tomada há quase um ano, proibiu a fabricação e a guerra de espadas. Segundo a decisão, soltar as espadas seria considerado crime.
Com a proximidade das festas juninas, os moradores realizaram uma passeata no sábado (13) para pedir a volta da guerra de espadas. “O nosso São João é marcado por esta tradição, se for proibido não teremos nenhum atrativo turístico para as pessoas. Muitos turistas de São Paulo viajam até Cruz das Almas só para conhecer a tradicional guerra.”, justificou o morador José Aurélio.
 
A proibição foi determinada pelo órgão, em junho de 2011. O objetivo foi reduzir o número de vítimas de queimados com a fabricação e o uso das espadas. Mesmo proibida, guerra das espadas foi realizada em 2011.Segundo a Santa Casa de Misericórdia de Cruz das Almas, em 2010, quando não havia a proibição, 315 pessoas ficaram feridas durante os festejos juninos na cidade. No ano passado, este número caiu para 79.
 
Segundo o promotor criminal do Ministério Público da Bahia (MP-BA), Christian Menezes, a guerra de espadas “causa lesões não só aos que praticam a ação, como aos demais populares e aos patrimônios privados e públicos”.
 
Para o “espadeiro” Ulisses Vieira, a tradição vai ser mantida para este ano. “Não há como ter uma fiscalização de quem solta as espadas. Existem vários locais aqui na cidade. É verdade que há pessoas irresponsáveis que soltam de qualquer maneira e sem proteção nenhuma. Não é necessário  proibir, apenas ensinar como soltar corretamente.”, diz.
 
A associação dos produtores de espadas defende a regularização da fabricação e queima de fogos e a preservação da atividade como Patrimônio Cultural da Região. “A proibição trouxe prejuízos econômicos para a cidade. Nós hoje estamos tentando sensibilizar as autoridades para que possamos continuar com a nossa brincadeira, nossa queima de espadas, que é hoje o nosso maior Patrimônio Cultural”, defende o presidente da entidade, Euricles Neto.

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