As contas da discórdia

Projetos e discursos que beneficiem o cidadão não foram muitos na sessão ordinária desta tarde na Câmara Municipal do Salvador. Mas o que não faltou foi troca de farpas entre os vereadores. Numa sessão para lá de tensa, teve até acusação de roubo e de formação de quadrilha.
“Essa questão de querer voto aberto nas contas do prefeito é oportunismo político, para chamar atenção e jogar para a plateia. Vocês deveriam querer voto aberto quando Orlando Silva foi acusado de roubo e de formação de quadrilha com Agnelo Queiroz”, disparou o líder do governo na Casa, vereador Téo Senna (PTC).
Ele respondeu à tentativa da colega Aladilce Souza (PCdoB) de conseguir apoio para dar entrada num projeto a fim de que a apreciação das contas referentes ao exercício 2010 da Prefeitura não aconteça sob voto secreto. Orlando Silva e Agnelo Queiroz a quem Téo Senna se referiu são o ex-ministro do Esporte e o atual governador do Distrito Federal (DF), respectivamente.
Depois da troca de afagos entre Téo e Aladilce, foi a vez de Sandoval Guimarães (PMDB) botar mais lenha na fogueira, ao afirmar que “é impossível” a Comissão de Orçamento e Finanças da Câmara, da qual ele é presidente, dar parecer sobre as contas de João até o próximo dia 23. Vale lembrar, a partir desta data a pauta de votação do parlamento municipal estará trancada exatamente por causa do documento.
Ainda na seara da expectativa pelas contas do prefeito, o vice-líder da bancada que defende seus interesses na Casa do Povo, vereador Dr. Pitangueira, voltou a afirmar aoBahia 247 que “preliminarmente” a “orientação” dos líderes estadual e municipal do PSD, o vice-governador Otto Alencar e o deputado Alan Sanches, respectivamente, é a de o partido se posicionar contra o governo.
No final de semana, no entanto, Otto declarou ao jornal Tribuna da Bahia que não havia possibilidade de os diretórios retrocederem da decisão. A reportagem questionou Dr. Pitangueira ainda como é que ele votará contra o prefeito tendo em vista que ele é vice-líder da bancada governista. O PSD é composto, além de Pitangueira, por David Rios e Edson da União.
O social democrático voltou a dizer, embora nas entrelinhas que a decisão do PSD é passível de mudanças até a apreciação das contas em plenário. Ele utilizou como parâmetro sua antiga diferença no parlamento. “Alcindo (da Anunciação) não virou PT? Qualquer coisa pode acontecer nesta Câmara”, disse Pitangueira.(247)

