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A praça é do povo ou do camarote?

Rebeca Bastos
A praça é do povo ou do camarote?
O turista que vem de fora da Bahia nem imagina a polêmica que gira em torno do Camarote Salvador, instalado em uma praça no bairro de Ondina. Todo o imbróglio começou, em novembro de 2011, quando veio à público a possibilidade de a Praça ser ‘tomada’ por uma empresa privada para a construção de um grande camarote, o que de fato aconteceu em meados de dezembro. Na época a Superintendência de Controle e Ordenamento do Uso do Solo do Município (Sucom) esclareceu que a tomada do espaço era legal, pois a nova Praça de Ondina era fruto de uma licitação realizada pela Sucom por meio da qual a prefeitura concedeu à Premium, empresa vencedora da licitação o direito de explorar a área pública pelo prazo de cinco anos durante o período do Carnaval.
A justificativa da tomada da Praça de Ondina, no entanto, não convenceu a população de Salvador que saiu às ruas no dia 14 de janeiro em um movimento, proibido pela Justiça, denominado ‘ Desocupa’. A ação dos descontentes ganhou grande repercussão, mas não teve fôlego para travar a construção legalizada por licitação.
O fato novo é que a própria Justiça tem contestado a legalidade da instalação do Camarote Salvador onde está, em uma área pública, e impedindo o acesso dos cidadãos a uma parte da praia de Ondina. Recentemente, a Defensoria Pública da União na Bahia (DPU-BA) ajuizou uma Ação Civil Coletiva contra a Premium Eventos, que é a realizadora do Camarote Salvador. A ação jogou lenha na fogueira e trouxe à tona a discussão sobre o uso do espaço.

Pensando em interesses maiores, entidades carnavalescas anunciaram nesta terça-feira (14) que repudiam ação da Defensoria Pública contra o Camarote Salvador. No texto, as entidades afirmam que “não há razão para que, às vésperas de um evento tão importante para a história e para cultura do Estado e do País, de maneira oportunista e midiática, se queira tumultuar e comprometer a festa de dezenas de milhares de baianos e turistas. A exemplo de muitos outros empreendimentos do Carnaval da Bahia, inclusive arquibancadas abertas ao público e espaços localizados em todo o circuito, o Camarote Salvador se estruturou em área devidamente licitada e remunerada”. As entidades destacam ainda que “o Carnaval, a Bahia e os baianos não merecem o desserviço que se presta quando, com alegações sem consistência, (…) se pretende frustrar a maior festa do Mundo”.
Tendo em vista que já estamos nas vésperas do Carnaval, que começa nesta quinta-feira (16), e que o Camarote já está estruturado com os ingressos vendidos, dificilmente a situação mudará a favor dos manifestantes e da DPDU e a praça fica com o Camarote. Entretanto, a briga judicial está aberta e outros carnavais virão.(Bahia 247)

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