Candidatos, candidatos, união à parte

Eles nem parecem políticos de partidos de uma oposição minguada que precisa se unir para evitar que os tentáculos petistas selem sua hegemonia, chegando, enfim, ao domínio da capital baiana. Mais que isso, o deputado federal e líder do Democratas, ACM Neto, e o vice-presidente de Pessoa Jurídia da Caixa, Geddel Vieira Lima (PMDB), portam-se como dois adversários ferrenhos em uma queda de braço sem fim. Nenhum dos dois abre mão de sair candidato às eleições municipais de 2012, para disputar contra o deputado federal Nelson Pelegrino, candidato do PT já definido há meses.
Acontece que o tempo passa, o tempo voa… Nesse vaivém, o Carnaval já terminou, e a promessa da oposição ao governo Jaques Wagner de lançar uma candidatura única logo após a festa parece cada vez mais distante. Uma informação publicada hoje na coluna Tempo Presente, do Jornal A Tarde, mostra isso. Segundo o jornalista Levi Vasconcelos, que assina a coluna e também é colunista do Bahia 247, poucos dias antes da folia de momo, Geddel e Neto reuniram-se em Brasília para discutir o cenário da sucessão municipal na capital baiana e uma possível união para enfrentar o candidato da base governista. Nada pra ninguém, conta Levi.
O jornalista político conta que o encontro não foi frutífero. O peemedebista teria iniciado a conversa com um “sinceramente eu não posso lhe apoiar” e a objetividade não agradou Neto, que teria retrucado: “Você vem discutir unidade e já começa me vetando? Aí não dá”, reclamou. Após anunciar sua pré-candidatura, Geddel já havia classificado como “improvável” um apoio do Democratas ao seu nome.
A principal aposta do PMDB para estas eleições era o radialista Mário Kertész, mas ele recuou ao perceber, justamente, a resistência do Democrata ACM Neto a se unir. Comentaristas políticos julgaram, à época, que se tratava de um jogo de charme de Kertész, mas o fato é que não funcionou. Neto, que é líder nas pesquisas de intenção de voto, não arredou o pé. Insatisfeito, Geddel lançou-se pré-candidato.
Há luz no fim do túnel para a oposição? Se ambos respirarem e pensarem juntos, provavelmente. ACM Neto é um dos deputados federais mais destacados em Brasília e tem as pesquisas em seu favor. Geddel Vieira Lima foi candidato ao governo nas eleições passadas e, com isso, ganhou popularidade. Hoje, porém, não ocupa nenhum cargo político para o qual tenha sido eleito, o que o enfraquece. Uma chapa em que um fosse o candidato e o outro o vice, por exemplo, poderia ser uma boa estratégia. Resta saber se um dos dois vai dar o braço a torcer. Caso contrário, a queda de braço só acabaria em um eventual segundo turno das eleições municipais.(Bahia 247)

