Eleitor, não venda seu voto por promessas: cobre compromisso
A eleição se aproxima. As promessas aumentam. A propaganda ganha força. E o eleitor precisa abrir os olhos.
A cada dia que passa, à medida que nos aproximamos de 4 de outubro, começam a aparecer discursos, acusações, denúncias, ataques e, principalmente, promessas que muitas vezes parecem ter prazo de validade: terminam exatamente no dia seguinte à eleição.
Mas será que o eleitor ainda vai acreditar em tudo?
É chegada a hora de separar propaganda de realidade, discurso de resultado e promessa de compromisso.
Em praticamente todas as áreas, encontramos problemas que não nasceram ontem. Saúde, educação, saneamento básico, transporte, segurança, estradas e mobilidade urbana são temas que aparecem constantemente nos discursos políticos. O problema é que muitos daqueles que hoje se apresentam como grandes defensores dessas áreas também fizeram parte, direta ou indiretamente, de governos e grupos políticos que tiveram a oportunidade de resolver esses mesmos problemas.
Então, a pergunta precisa ser feita:
Se tinham o poder para fazer, por que não fizeram?
Não podemos aceitar que alguém apareça agora como salvador da pátria para apresentar soluções para problemas que, em determinados momentos, estavam sob sua responsabilidade ou sob a responsabilidade de seus aliados.
A mobilidade urbana é um exemplo claro.
Hoje, fala-se muito em mobilidade, em novas obras, em modernização e em melhoria do transporte. Mas é preciso olhar para trás. Em muitos lugares, aquilo que existia foi abandonado, deteriorado ou simplesmente deixou de receber a atenção necessária.
E o cidadão continua enfrentando ônibus lotados, estradas deterioradas, congestionamentos, falta de planejamento e dificuldades para se deslocar.
Não adianta pintar de novo aquilo que está quebrado e apresentar a pintura como se fosse uma grande transformação.
O eleitor não pode ser tratado como alguém que não enxerga.
Ele enxerga. Ele vive o problema. Ele enfrenta a fila. Ele passa pela estrada esburacada. Ele espera pelo transporte. Ele procura atendimento médico. Ele convive com a falta de saneamento. Ele coloca o filho na escola e sabe exatamente o que acontece dentro e fora dela.
Por isso, não basta ouvir o que o candidato diz.
É preciso observar o que ele fez.
Quem está pedindo seu voto para deputado estadual, deputado federal, senador, governador ou presidente precisa apresentar mais do que discurso bonito. Precisa apresentar história, trabalho, coerência e compromisso.
O eleitor precisa perguntar:
Onde estava esse candidato quando o problema aconteceu?
O que ele fez quando teve oportunidade?
Quais resultados apresentou?
Quais promessas anteriores foram cumpridas?
E, principalmente:
Por que devemos acreditar novamente?
A política também precisa deixar de ser transformada em uma guerra de acusações.
Estamos vendo propagandas com ataques pessoais, ofensas morais e acusações que, muitas vezes, parecem baseadas apenas em suspeitas, boatos ou no famoso “ouvi dizer”.
Isso não é política séria.
Quem acusa precisa apresentar provas. Quem denuncia precisa ter responsabilidade. Quem aponta o dedo precisa lembrar que também será cobrado pela sociedade.
Porque o dedo apontado contra alguém pode parecer uma arma poderosa, mas, quando a mão se fecha, outros três dedos apontam de volta para quem acusa.
O eleitor não quer espetáculo. O eleitor quer resultado.
Não quer apenas promessa de hospital; quer atendimento.
Não quer apenas discurso sobre educação; quer escola funcionando e educação de qualidade.
Não quer apenas promessa de saneamento; quer água, esgoto tratado e dignidade.
Não quer apenas propaganda sobre transporte; quer transporte digno.
Não quer apenas discurso sobre mobilidade; quer conseguir chegar ao trabalho, à escola, ao médico e voltar para casa com segurança.
É disso que estamos falando.
De vida real.
E talvez esteja aí o maior desafio desta eleição: convencer o eleitor de que ele não precisa votar por obrigação, por amizade, por pressão, por favor ou por promessa.
O voto não é moeda de troca.
O voto é instrumento de transformação.
Quando você vota, não está escolhendo apenas alguém para ocupar uma cadeira. Está ajudando a decidir quem terá poder para administrar recursos públicos, elaborar leis, fiscalizar governos e definir os rumos da sociedade.
Por isso, errar o voto custa caro.
E quem paga a conta do erro não é apenas quem votou. Paga a família, paga o trabalhador, paga o estudante, paga o comerciante, paga o aposentado, paga o município, paga o estado e paga o país.
Por isso, eleitor, não entregue seu voto a quem aparece apenas de quatro em quatro anos.
Conheça o candidato.
Conheça sua história.
Conheça seus aliados.
Conheça aquilo que ele fez quando não estava pedindo seu voto.
E, sobretudo, compare promessa com realidade.
Porque é muito fácil prometer quando se está diante de um microfone. Difícil é cumprir quando se está diante do povo.
A eleição não pode ser um cheque em branco.
O eleitor precisa ser o fiscal antes, durante e depois da eleição.
E existe uma palavra que deveria estar acima de todas as outras:
COMPROMISSO.
Promessa pode ser esquecida.
Propaganda pode ser apagada.
Discurso pode mudar.
Mas o compromisso verdadeiro permanece na memória do povo.
No dia 4 de outubro, não escolha simplesmente quem fala melhor. Escolha quem demonstra melhor aquilo que pretende fazer. Não escolha apenas pela emoção. Escolha também pela razão.
Não permita que uma propaganda bonita esconda uma realidade feia.
Não permita que uma promessa antiga seja apresentada como novidade.
Não permita que ataques pessoais substituam propostas.
E não permita que alguém tente comprar sua consciência com aquilo que é obrigação do poder público.
Seu voto não tem preço. Seu voto tem consequência.
Ele pode mudar o destino de uma família, de uma comunidade, de um município, de um estado e de uma nação.
A decisão estará nas suas mãos.
Pense. Analise. Compare. Questione. E escolha.
Porque, depois que a urna fechar, não adianta reclamar daquele que você mesmo ajudou a colocar no poder.
O voto é seu. A responsabilidade também.
Visão Cidade



