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Amanhã é a festa do padroeiro — e tudo diz que nós vai!

Meu compadre esteve aqui hoje para me fazer um convite que, segundo ele, eu não poderia recusar: amanhã é dia da festa do padroeiro da nossa cidade e, é claro, nós vamos!

Ele já avisou: lá vai ter de tudo. Vai ter muita gente, muita comida, bebida, abraço, aperto de mão, tapinha nas costas e aquela velha frase que aparece justamente nessas ocasiões:

— “Rapaz, quanto tempo eu não lhe vejo! Você está comigo, não está?”

Segundo meu compadre, amanhã essa frase vai ser repetida umas tantas vezes.

Agora eu faço uma pergunta bem simples: a festa do padroeiro acontece todo ano. Então por que, justamente no ano da política — ou seria da politicagem? — aparece esse corre-corre dos pecados?

É gente chamando de um lado, gente chamando do outro. É almoço na casa de um, almoço na casa de outro. É cerveja, água de coco, guaraná, moqueca de peixe, moqueca de arraia, camarão, petitinga… Tem de tudo!

E meu compadre ainda fez uma recomendação:

“Cuidado com quem vai lhe oferecer a moqueca de arraia, porque não é todo mundo que sabe preparar isso não!”

Brincadeiras à parte, alimentação exige cuidado, principalmente quando se trata de pescado que precisa ser corretamente identificado, tratado e preparado.

Mas a festa vai ter também pagode, arrocha, encontro de amigos e muita confraternização. E, sinceramente, merecido!

Uma vez por ano é justo comemorar. Afinal, estamos falando da festa do padroeiro e de uma tradição que faz parte da história de Vera Cruz.

E onde entra a política?

Ah, meu amigo… Aí é que começa a outra festa!

O bom da política — pelo menos nesse período — é que a gente começa a ver de frente a cara de muita gente.

Tem aqueles que aparecem de quatro em quatro anos. Outros aparecem de dois em dois. E tem alguns que quase nunca aparecem, mas quando chega a época da eleição…

Meu Deus do céu! É um corre-corre dos grandes!

Tem gente que veio, prometeu e não fez. Tem gente prometendo novamente. E tem até quem esteja dizendo que agora vai!

É promessa para todo lado.

E não poderia faltar, naturalmente, a velha discussão sobre a Ponte Salvador–Itaparica.

Uns dizem que está avançando. Outros dizem que é só conversa para conseguir voto. Outros afirmam que agora vai mesmo.

Controvérsia!

Olha aí uma palavra bonita: controvérsia.

Uns dizem que está sendo feita. Outros dizem que é enganação. Mas quem vai dar a resposta definitiva não é candidato, não é partido, não é cabo eleitoral.

Quem vai responder é o povo.

E a resposta virá nas urnas.

O fato é que já existem movimentações relacionadas ao projeto em diferentes pontos. E nós vamos acompanhar para saber até onde tudo isso vai chegar.

Porque falar que vai fazer é uma coisa.

Fazer é outra completamente diferente.

E, se a ponte realmente sair do papel, haverá muita coisa para discutir, inclusive os impactos econômicos, sociais e territoriais para Vera Cruz e para toda a Ilha de Itaparica.

Amanhã, a igreja também vira ponto de encontro político

Voltando à festa do padroeiro: amanhã teremos a missa na igreja histórica, e certamente muita gente estará por lá.

Gestores públicos, vereadores, secretários, lideranças comunitárias e, naturalmente, candidatos.

Deputado estadual? Vai ter.

Deputado federal? Certamente.

Senador? Quem sabe?

Governador? Quem sabe também?

O que nós esperamos é que, se vierem, venham com compromisso.

Não precisamos de promessa vazia.

Não precisamos daquele velho discurso:

— “Depois da eleição eu vou fazer.”

O município precisa de ajuda agora.

A cidade precisa de ações agora.

O povo precisa de compromisso agora.

Esse negócio de “eu vou fazer depois” é conversa para boi dormir.

Como aqui o negócio é peixe, se a maré estiver para peixe, o candidato pode até levar voto. Mas, se vier com promessa e rede furada, pode não levar nada.

O eleitor está olhando

Meu compadre já me disse que amanhã pode aparecer candidato de todo lado.

E não tenho dúvida de que, depois da festa, não vão faltar fotos, vídeos, publicações nas redes sociais, matérias nos sites e notícias mostrando quem esteve presente.

Mas existe uma coisa que precisa ficar muito clara:

O eleitor não pode escolher pelo abraço, pela comida, pela cerveja, pelo tapinha nas costas ou pela promessa bonita.

Na hora de votar, é preciso consciência.

É preciso observar o que está sendo dito.

É preciso lembrar o que já foi feito.

É preciso verificar quem realmente ajudou o município.

E, principalmente, separar quem veio pedir voto de quem veio assumir compromisso.

Eu já falei para o meu compadre:

Nós só temos que votar em quem tem compromisso e demonstra compromisso de verdade com a nossa cidade.

Não é votar porque ajudou fulano.

Não é votar porque ajudou beltrano.

É votar em quem ajudou Vera Cruz.

Amanhã nós vamos observar

Então, meu compadre, amanhã nós estaremos lá.

Vamos participar da festa, respeitar a tradição, acompanhar a celebração e, claro, observar o movimento.

Nós vamos ficar lá de cima da casa do nosso outro compadre, lá no Baiacu.

É um ponto estratégico!

Dá para ver quem chega, quem passa, quem abraça, quem sorri, quem conversa, quem promete e até quem desaparece quando a eleição passa.

E meu compadre, que está ficando cada vez mais competente, disse que vai levar até um caderno para anotar:

Quem foi, quem não foi, quem é quem e quem está com quem.

Eita, meu compadre!

Está ficando competente demais!

Mas uma coisa é certa: a festa é do padroeiro, mas o eleitor também estará de olho.

Amanhã é dia de fé, tradição, reencontro e celebração.

Mas também é dia de observar.

Porque a eleição está chegando.

E, quando chegar a hora da urna, não será o abraço que vai decidir.

Será a consciência do eleitor.

Até amanhã!

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