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O Matuto e o compadre: m dia antes da eleição


— Ô compadre! Boa tarde! Tô passando aqui pra gente prosear um pouquinho. O senhor sabe que amanhã é um dia importante, né? É o nosso dia de escolher aqueles que dizem que vão ser nossos representantes.
— É verdade, compadre. Amanhã é dia de exercer o nosso direito de escolher. Eu, por sinal, já preparei até o terno! Tá todo passadinho, sapato brilhando, tudo arrumadinho. Amanhã eu vou bonito pra urna, porque votar é uma coisa que eu gosto. É o momento de escolher aquele que eu espero poder contar depois, quando for fazer aquilo que é melhor para o povo.
— Pois é, compadre… Mas vou lhe dizer uma coisa: a situação tá difícil, viu? Eu já risquei alguns nomes da minha lista. Na verdade, não é bem nome, né? É número!
— Eita, compadre! É número pra todo lado!
— Pois é. Dizem que é assim que a gente escolhe na urna eletrônica. Mas, no fim das contas, esses números representam pessoas, propostas e responsabilidades. E é aí que mora o perigo: não pode apertar qualquer número só porque alguém mandou.
— Mas por que o senhor tá falando desse jeito, compadre? Parece até que tá triste.
— E não é pra ficar preocupado, não? Olhe quanta coisa a gente ouviu durante esse período de campanha. Um dizendo que o outro não presta, um tentando mostrar que é melhor que o outro, promessa de todo lado, acusação de todo jeito…
— É verdade, compadre. Mas me diga uma coisa: qual foi a notícia boa que o senhor viu nesse período?
— Ô compadre… notícia boa teve, mas no meio de tanta disputa às vezes ela até se perdeu. É difícil escolher quando todo mundo tenta convencer a gente de que o outro é pior.
— E escolher entre todos já é difícil, imagine quando aparece gente tentando confundir a cabeça do eleitor!
— Justamente! Por isso é que nós temos que parar, pensar e separar conversa de realidade.
— Mas nós tem que votar, compadre!
— Tem sim! E tem que votar consciente. Porque se nós não formos escolher, alguém vai escolher por nós. E depois não adianta reclamar daquilo que nós mesmos ajudamos a colocar lá.
— É como diz aquela velha história: se não vai, fica como está; se vai, pelo menos tenta escolher.
— Pois é, compadre. E o negócio é tentar acertar.
OS NÚMEROS E A RESPONSABILIDADE
— Compadre, o senhor já sabe como vai ser amanhã? Primeiro vem deputado federal, não é?
— É. Quatro números.
— Depois deputado estadual, cinco números.
— Depois senador…
— Três números.
— E ainda tem o segundo senador, governador e presidente!
— Eita, compadre! Então nós vai ter que prestar atenção mesmo!
— Tem que prestar muita atenção. Não é hora de conversa fiada. É preciso conferir o número, o nome e o cargo. Não pode votar correndo, não pode apertar botão sem saber em quem está votando.
— E tem esse tal de voto de legenda também, né?
— Tem. E justamente por isso o eleitor precisa entender o que está fazendo antes de entrar na cabine. Informação também é responsabilidade.
— Então amanhã não é dia de brincadeira.
— De jeito nenhum, compadre! É dia de decisão.
A COMADRE JÁ SABE…
— Minha comadre disse que já sabe em quem vai votar. Disse que só tá com uma dúvida para presidente. O resto ela já decorou tudo!
— Eita! Então sua comadre tá preparada!
— Disse que nem vai precisar levar papel nenhum.
— Quero só ver ela chegando lá na urna e lembrando de tudo!
— Aí é que eu quero ver!
— Mas falando sério, compadre: ainda tem muita gente com dúvida. E até amanhã muita coisa pode mudar na cabeça do eleitor.
— Pode mesmo. Mas o que não pode mudar é a responsabilidade.
MENOS BARULHO, MAIS INFORMAÇÃO?
— E o senhor reparou numa coisa, compadre?
— O quê?
— Antigamente era carro de som, trio elétrico, música, papelzinho, santinho pra todo lado… Era uma zoada nos ouvidos da gente que só Deus sabe!
— Verdade! Agora muita coisa foi para a internet.
— Melhorou em algumas coisas, mas também trouxe outro problema: na internet aparece informação de todo jeito.
— Aí é que tá o perigo, compadre!
— Exatamente. Não é porque apareceu na tela do celular que virou verdade. Tem que conferir.
— E os santinhos diminuíram, mas ainda tem parede que parece até mural de eleição!
— É foto, número, partido… E tem candidato a deputado estadual de um partido, deputado federal de outro, senador de outro, governador de outro e presidente de outro.
— Uma verdadeira sopa de letras!
— E depois ainda tem gente dizendo que o eleitor é obrigado a seguir uma chapa inteira.
— Obrigado não é, não, compadre.
— Pois é. A escolha é do eleitor. Mas justamente por ser do eleitor, ele precisa saber o que está escolhendo.
O ALERTA DO COMPADRE
— Compadre, vou lhe dizer uma coisa que eu acho importante: o povo não é burro.
— Nunca foi!
— O povo pode até ter dúvida, pode não conhecer todos os candidatos, pode ouvir opiniões diferentes, mas tem uma coisa que ninguém pode tirar dele: o direito de pensar e escolher.
— E depois que escolher, tem que acompanhar.
— Aí o senhor falou bonito! Porque o mandato não pertence ao político. O mandato é uma responsabilidade recebida do povo.
— E quem recebe o voto precisa prestar contas do que faz com ele.
— Exatamente. Não basta pedir voto hoje e desaparecer amanhã. O eleitor precisa acompanhar, cobrar, fiscalizar e perguntar: “E aí, compadre, o que foi feito?”
— Porque se prometeu, tem que explicar. Se fez, tem que mostrar. Se não fez, tem que dizer por quê.
A TAL DA PONTE
— Mas antes de eu ir embora, compadre, deixe eu fazer só mais uma observação.
— Diga aí! A prosa tá boa!
— O senhor viu que até aquela história da ponte virou assunto de campanha?
— Vi sim. Um diz que vai fazer, outro diz que também vai fazer. Um fala que o outro não fez; o outro diz que já fez muito.
— Pois é, compadre. A ponte virou assunto, promessa, cobrança e discussão política.
— Então o eleitor tem que prestar atenção não só no que está sendo prometido, mas também no que já foi feito e no que realmente pode ser realizado.
— É isso! Promessa é promessa. Realização é outra história.
— E essa história da ponte precisa ser acompanhada com informação, documentos, prazos e responsabilidade.
A ÚLTIMA PROSA ANTES DA URNA
— Compadre, agora eu tenho que ir. Preciso ajeitar minhas coisas. Amanhã é dia importante.
— Vá com Deus, compadre. Mas vá pensando numa coisa: domingo não é dia de votar por raiva, por amizade, por pressão ou porque alguém mandou. É dia de exercer um direito e assumir uma responsabilidade.
— É isso mesmo.
— E lembre-se: depois que a urna fechar, começa outra etapa. Acompanhar aqueles que foram eleitos.
— Porque o voto termina na urna, mas a responsabilidade do eleitor continua.
— E tem mais, compadre: escolha é escolha. Cada um faz a sua.
— Verdade. Ninguém deve escolher pelo outro.
— Então vamos fazer o nosso dever, prestar atenção, conferir os números e votar conscientes.
— E que cada eleitor faça sua escolha com responsabilidade!
— Amém, compadre!
— Até depois da eleição!
— Até lá! E que Deus abençoe o nosso povo e o nosso Brasil.


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