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Prefeitura de Salvador leva alerta sobre violência contra a mulher a túnel imersivo

A violência contra a mulher nem sempre começa com uma agressão física. Muitas vezes, os primeiros sinais aparecem de maneira sutil, em frases, brincadeiras e comportamentos que, com o tempo, podem evoluir para situações mais graves, como ameaças e humilhações, que acabam sendo naturalizadas dentro de um relacionamento.

Para chamar a atenção da população para esses comportamentos e contribuir para a prevenção e o acolhimento de mulheres que passam por esse tipo de situação, a Prefeitura de Salvador se uniu ao Shopping Bela Vista e ao Ministério Público da Bahia (MP-BA) em uma experiência imersiva do Agosto Lilás.

A ação acontece em um túnel montado na Praça de Alimentação, no piso L2 do centro de compras. À medida que o público avança pelo túnel, é possível ter contato com situações que reproduzem diferentes formas de violência contra a mulher, incluindo as violências psicológica, moral, patrimonial, sexual e física. Também são apresentadas frases comuns em relacionamentos abusivos, que muitas vezes acabam sendo naturalizadas no cotidiano.

A estrutura conta ainda com o Violentômetro, ferramenta que apresenta diferentes níveis de violência e ajuda a identificar sinais de alerta em relacionamentos. A proposta é fazer com que homens e mulheres reconheçam comportamentos abusivos antes que eles evoluam para situações mais graves.

Para Fernanda Cerqueira, diretora de Políticas Públicas para Mulheres, Infância e Juventude da Prefeitura de Salvador, ações como essa ajudam a levar a discussão para além dos espaços tradicionalmente destinados ao atendimento. Segundo ela, ocupar locais de grande circulação é uma estratégia importante, principalmente para a prevenção.

“É importante levar esse tema para os espaços públicos, principalmente como forma de prevenção. Precisamos alertar a população para os sinais de um relacionamento abusivo e informar sobre os serviços municipais de combate à violência contra as mulheres, como os Centros de Referência de Atendimento à Mulher, o Botão Lilás e a Casa da Mulher Brasileira. Hoje, a informação é a mola propulsora da transformação social”, afirmou.

Nos últimos cinco anos, os Centros de Referência de Atendimento às Mulheres da capital baiana contabilizaram mais de 72 mil serviços prestados. Já a Casa da Mulher Brasileira, que completou dois anos de funcionamento, ultrapassou a marca de 40 mil atendimentos.

Nos últimos anos, Salvador também registrou uma queda no número de feminicídios. Segundo dados do Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública (Sinesp), do Ministério da Justiça e Segurança Pública, a cidade teve 20 casos em 2023 e 11 em 2025, o que representa uma redução de 45% nos registros.

Para Fernanda, a identificação dos primeiros sinais é fundamental para interromper o ciclo de violência, que pode evoluir para agressões mais graves e, em casos extremos, resultar em feminicídio.“Entender o que é um relacionamento abusivo também faz parte da educação. Por isso, é importante levar essa discussão para os espaços públicos e chamar a atenção de homens e mulheres para determinados comportamentos. Afinal, a violência contra a mulher é um fenômeno relacional e não começa, necessariamente, com uma agressão física”, afirmou a diretora.

Rede de proteção – Entre os serviços apresentados ao público está o Botão Lilás, ferramenta da Prefeitura de Salvador que permite solicitar atendimento em situações de violência contra a mulher. O acionamento ocorre pelo WhatsApp, no número (71) 98791-3420. A ocorrência é georreferenciada e direcionada para atendimento da viatura mais próxima da Guarda Civil Municipal.

Além do Botão Lilás, mulheres em situação de violência podem buscar os serviços especializados da rede municipal ou acionar o Ligue 180, canal nacional de orientação e denúncia, e o 190, em casos de emergência.

Segundo Sara Gama, promotora de Justiça, a experiência busca aproximar o público da realidade vivida por mulheres vítimas de violência e mostrar que existe uma rede de proteção preparada para acolhê-las e ajudá-las a romper esse ciclo.

“A ideia é fazer com que cada pessoa que frequentar o espaço se coloque no lugar de uma mulher que está em situação de violência e perceba que, ao final, depois de passar por todas essas situações, o poder público, o sistema de Justiça e a rede de proteção conseguem dar uma resposta para ajudá-la a sair desse ciclo de violência”, disse.

A ação integra a programação do Agosto Lilás e permanece no Shopping Bela Vista até o fim de agosto. Juliana Brandão, gerente de Marketing do Shopping Bela Vista, afirma que a iniciativa reforça a proposta de utilizar os espaços do empreendimento também para ações de conscientização e impacto social, para além das compras e do lazer.

“O Bela Vista sempre busca ir além disso, promovendo iniciativas que contribuam para a conscientização e para a construção de uma sociedade mais segura e acolhedora para as mulheres. Esperamos que essa experiência desperte reflexões, ajude a identificar sinais de violência e incentive quem precisa a buscar apoio”, afirmou.

Texto: Nilson Marinho / Secom PMS
Foto: Jefferson Peixoto / Secom PMS

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