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Regulação médica: ela existe de fato?

A população baiana tem feito, de forma cada vez mais frequente, uma pergunta que ecoa em todas as regiões do estado: a regulação médica realmente funciona?

Seja para a realização de exames, consultas, internações ou procedimentos de média e alta complexidade, o que se observa, segundo relatos de milhares de cidadãos, é uma enorme dificuldade para conseguir atendimento. Diariamente, as redes sociais, emissoras de rádio e televisão, sites de notícias e aplicativos de mensagens são utilizados por famílias que fazem apelos desesperados em busca de uma vaga para um ente querido.

Essa realidade acaba transmitindo à população a impressão de que a regulação não funciona como deveria. Muitos acreditam que somente consegue atendimento quem possui influência, conhecimento ou alguém que possa intervir diretamente junto aos órgãos responsáveis. Esse é o sentimento predominante entre grande parte dos baianos.

Há situações em que, mesmo com decisões judiciais determinando o atendimento, a vaga demora a ser disponibilizada. Em alguns casos, infelizmente, o paciente não resiste e vai a óbito antes mesmo de conseguir a regulação necessária para um exame, uma consulta especializada ou uma internação. Trata-se de uma realidade dolorosa, especialmente para quem mora no interior do estado, onde as dificuldades costumam ser ainda maiores.

Enquanto isso, o Governo do Estado da Bahia afirma, em diversas oportunidades, que o sistema de regulação está funcionando normalmente. Diante dessa afirmação, surge uma pergunta inevitável: funcionando plenamente para quem?

É fundamental que a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia apresente à sociedade informações claras, transparentes e objetivas sobre o funcionamento da regulação, demonstrando números, prazos médios de atendimento e resultados alcançados. A percepção da população, entretanto, é bastante diferente daquela apresentada oficialmente.

Um exemplo recorrente é a área da ortopedia. Pacientes que necessitam de atendimento especializado encontram enormes dificuldades para conseguir consultas e cirurgias. Em muitos casos, o primeiro passo é procurar uma unidade de saúde para solicitar o encaminhamento. Depois disso, inicia-se uma longa espera por uma consulta com um médico ortopedista, que, segundo relatos, pode levar entre 30 e 60 dias ou até mais.

Caso o especialista solicite exames de maior complexidade, como uma ressonância magnética ou uma tomografia computadorizada, a espera pode se tornar ainda mais longa. Há pacientes que afirmam permanecer seis meses, um ano ou até mais aguardando esses procedimentos. Para quem convive diariamente com dores intensas e limitações físicas, essa demora representa sofrimento, perda da qualidade de vida e, em muitos casos, agravamento da própria doença.

O senhor Marcos, por exemplo, relata estar aguardando há dois anos por uma cirurgia no joelho. Situações semelhantes são registradas em Vera Cruz, Itaparica, Lauro de Freitas e em diversos outros municípios baianos. A distância da capital não parece ser o único problema. Mesmo cidades mais próximas de Salvador enfrentam dificuldades semelhantes.

Talvez seja justamente essa realidade que explique o grande número de pessoas vindas do interior em busca de atendimento na capital, muitas vezes passando dias em hospitais, corredores e unidades de saúde, implorando por uma vaga que lhes garanta o direito constitucional à saúde.

Diante desse cenário, a população continua fazendo as mesmas perguntas: onde está a regulação? O que a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia tem feito para reduzir o sofrimento dessas pessoas? Quais medidas estão sendo adotadas para diminuir o tempo de espera por consultas, exames e cirurgias?

A saúde pública precisa ir além da construção e da reforma de hospitais e unidades de saúde. É indispensável investir também em profissionais, ampliação da oferta de consultas, exames, cirurgias e no fortalecimento do sistema de regulação, para que o acesso ao atendimento ocorra de forma mais rápida, eficiente e humanizada.

A população baiana espera que as promessas de melhoria na saúde pública sejam transformadas em resultados concretos. Afinal, mais do que prédios modernos, o cidadão necessita de atendimento digno, médicos, especialistas, equipamentos funcionando e respostas rápidas para quem depende exclusivamente do Sistema Único de Saúde.

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