Sem lanchas, sem ferry… e amanhã, ficaremos também sem atravessar a ponte?


Ao fazermos uma análise profunda sobre a Ilha de Itaparica e o seu principal meio de ligação com o continente, percebemos o quanto o transporte aquaviário é essencial para a vida de milhares de pessoas. O sistema Ferry-Boat e as lanchas que realizam a travessia entre Salvador e Vera Cruz, passando pela Baía de Todos-os-Santos, é mais do que um serviço: é uma necessidade diária.
A Baía de Todos-os-Santos é conhecida por suas águas quentes e, na maior parte do tempo, tranquilas. No entanto, mudanças climáticas e fenômenos naturais provocam, em determinados momentos, fortes ventos — especialmente vindos do Nordeste — que causam instabilidade no mar e ondas mais intensas. Diante dessas situações, a Capitania dos Portos da Bahia intervém, orientando a suspensão ou redução das travessias para garantir a segurança dos passageiros.
O que vimos recentemente — como ocorreu no dia 28/2/26 — foi mais um desses episódios: paralisação das lanchas e redução das viagens do Ferry-Boat. Segundo informações da Internacional Travessias, a medida seguiu orientação de segurança. É claro que isso gera transtornos, desconforto e indignação. Afinal, ninguém utiliza esses meios de transporte por lazer apenas; na maioria das vezes, trata-se de compromissos médicos, trabalho, estudos ou outras necessidades vitais.
A redação do site recebeu inúmeras reclamações, vídeos e ligações questionando a ausência das lanchinhas e a paralisação temporária do ferry — algo raro, mas que pode acontecer em situações extremas.
É importante lembrar que, em 2017, um episódio trágico marcou a história da travessia. O naufrágio da embarcação Cavalo Marinho, na Baía de Todos-os-Santos, resultou na morte de 19 pessoas e deixou dezenas de feridos e sobreviventes com sequelas. Uma tragédia que jamais pode ser esquecida e que reforça a importância das medidas preventivas adotadas pelos órgãos responsáveis.
Precisamos compreender que o trabalho da Capitania é preventivo. Segurança não é detalhe; é prioridade. Também é fundamental cobrar das empresas que operam o sistema investimentos contínuos em manutenção das embarcações, equipamentos de salvatagem, EPIs e melhoria dos terminais. Nesse contexto, a atuação da Agência Estadual de Regulação de Serviços Públicos de Energia, Transportes e Comunicações da Bahia (AGERBA) é igualmente essencial na fiscalização e regulação do serviço.
Diante de tudo isso, surge uma pergunta inevitável: se for construída a tão falada Ponte Salvador–Itaparica — também conhecida como Ponte Leste-Oeste — com altura superior a 60 metros acima do nível do mar, como ela se comportará em dias de ventos intensos como os que ocasionalmente atingem a Baía?
Em momentos de ventania constante, a ponte funcionará normalmente? Haverá restrições para veículos leves ou pesados? A travessia continuará segura?
Essa é uma reflexão que inquieta usuários do Ferry-Boat, das lanchinhas e também futuros usuários da ponte. A mobilidade entre Salvador e a Ilha de Itaparica é vital para o desenvolvimento econômico e social da região. Seja por mar ou, futuramente, por via terrestre suspensa, a pergunta que não quer calar permanece: estaremos realmente preparados para garantir segurança e continuidade no direito de ir e vir?
Visão Cidade


