Praias impróprias para banho já se tornaram rotina na Baía de Todos-os-Santos, em Salvador e na Região Metropolitana

No último final de semana, chamaram atenção as informações divulgadas no site do INEMA sobre as condições de balneabilidade das praias de Salvador, do Litoral Norte e da Baía de Todos-os-Santos. O que se observa é um cenário alarmante: um número elevado de praias classificadas como impróprias para banho.
A situação causa estranheza e indignação, sobretudo porque a Bahia conta com um histórico programa de despoluição de praias e mananciais. Iniciado com o sistema conhecido como Bahia Azul, o projeto tinha como objetivo central combater o despejo irregular de esgoto nas praias e impedir o avanço da poluição costeira. Na época, o programa representou uma verdadeira revolução, aliando obras de infraestrutura à conscientização da população sobre a importância do saneamento básico, da preservação ambiental e da melhoria da qualidade de vida.
Houve investimentos e planejamento para ações de médio e longo prazo, incluindo a recuperação de rios, córregos e canais que, por décadas, receberam esgoto doméstico sem qualquer controle. Muito foi feito — ao menos no papel.
Atualmente, a Secretaria de Saneamento Básico e a SERIN figuram como responsáveis pela condução do projeto. No entanto, a responsabilidade social e econômica sempre esteve, na prática, sob domínio da EMBASA. No aspecto social, o foco deveria ser a contínua despoluição de canais, córregos e, consequentemente, das praias. O que se vê, porém, é o oposto: com frequência crescente, esgoto é despejado de forma visível nas praias, evidenciando falhas graves na execução e manutenção dos serviços.
Os dados que comprovam essa realidade estão nos relatórios semanais do INEMA, órgão responsável por monitorar e informar a população. No campo econômico, a situação se torna ainda mais grave: os consumidores pagam taxa de esgoto que pode chegar a 80% do valor da conta de água, um custo elevado diante da ausência de resultados concretos. A pergunta que não quer calar é: onde está sendo aplicado todo esse recurso?
Os órgãos fiscalizadores ambientais e econômicos parecem ausentes, enquanto os números indicam que quase 100% das praias de Salvador, da Baía de Todos-os-Santos e do Litoral Norte apresentam algum nível de contaminação. Para agravar ainda mais o problema, não se vê, nas praias, placas informativas ou representantes dos órgãos competentes alertando a população sobre a péssima qualidade da água.
Diante de tamanho descaso, fica a pergunta feita por muitos baianos: qual o real motivo de tanto descompromisso com o povo e com o meio ambiente do Estado da Bahia?
Com a palavra, o Governo do Estado e a EMBASA.
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