O esporte brasileiro precisa de mais incentivos

Após o encerramento da 100ª edição da Corrida Internacional de São Silvestre, realizada em São Paulo, mais uma vez se repetiu um cenário que vem sendo constante nos últimos anos: os vencedores, tanto no masculino quanto no feminino, foram atletas do continente africano. Esse resultado, embora demonstre o alto nível da competição, deixa um sentimento de “quase lá” para os atletas brasileiros, vindos de diferentes estados do país.
Nesta última edição, dois atletas baianos conquistaram o terceiro lugar — Fábio Jesus Correia, na prova masculina, e Núbia de Oliveira Silva, na feminina. O feito é motivo de orgulho e comprova o potencial do atletismo nacional, mas também escancara uma realidade: falta investimento consistente para que esses atletas possam disputar em igualdade de condições e alcançar o lugar mais alto do pódio.
Grande parte dos atletas brasileiros, especialmente os amadores e de alto rendimento fora do eixo olímpico, enfrenta enormes dificuldades na preparação. Muitos sobrevivem da própria abnegação, contando apenas com o apoio de pequenas empresas, amigos ou iniciativas pontuais. Do Governo Federal, dos governos estaduais e dos municípios de origem desses atletas, pouco se vê em termos de incentivo concreto e contínuo.
É evidente a necessidade de uma política pública sólida e permanente voltada ao esporte. Investir em atletas brasileiros significa investir no futuro do país, nas Olimpíadas, Paralimpíadas e em competições nacionais e internacionais. Atualmente, observa-se que apenas atletas vinculados às Forças Armadas — Marinha, Exército e Aeronáutica — contam com algum tipo de estabilidade e patrocínio, especialmente aqueles que já alcançam medalhas.
No entanto, não se pode confundir esse apoio institucional com uma política ampla de fomento ao esporte. O Ministério do Esporte precisa assumir um papel mais ativo, com programas de financiamento, acompanhamento e valorização dos atletas desde a base até o alto rendimento.
Fica, portanto, a pergunta que não quer calar: por que o Ministério do Esporte ainda não investe de forma efetiva e estruturada nos atletas brasileiros e no fortalecimento do esporte nacional?
Visão Cidade


