O bordão que encaixou bem no bom baianês: “Não tem jeito”

“Não tem jeito.” O bordão popularizado por um jogador do EC Bahia caiu como uma luva e rapidamente conquistou o torcedor tricolor. Com seu jeito espontâneo e irreverente, a expressão virou marca registrada, um recado direto aos arquirrivais e também um retrato fiel do cotidiano do baiano. Seja nas comemorações de conquistas, em frente à telinha da TV, nas redes sociais, nas rádios, nos sites ou onde quer que vá, o bordão segue junto, firme e forte.
O mais interessante é como essa frase se encaixa perfeitamente no jeito do baiano, traduzindo tanto os momentos positivos quanto os negativos do dia a dia. O “não tem jeito”, dito sempre com irreverência e bom humor, ganhou as ruas e os grandes eventos — a exemplo do Festival da Virada, em Salvador. Está presente nas filas de supermercados, nas feiras livres, nos barzinhos e, claro, virou a bola da vez nas longas filas para acessar o sistema ferry-boat.
Ali, a expressão ganha ainda mais sentido. São esperas que chegam facilmente a seis ou sete horas de relógio, como se fala tradicionalmente, muitas vezes debaixo “daquele sol de meio-dia pra tarde”, castigando qualquer um. Nessas horas, não tem jeito: o bordão parece feito sob medida para a situação. Veio para ficar, sem sombra de dúvidas, combinando perfeitamente com o espírito espontâneo do bom baianês.
Por outro lado, apesar do tom de brincadeira, há quem encare essa verdadeira maratona com criatividade e resignação. Muitos vão preparados: levam alimentos, água, paciência e uma boa dose de otimismo. Segundo eles, todo o sofrimento vale a pena para garantir alguns dias de descanso ao lado da família, mesmo sabendo que, na volta, o cenário será o mesmo — filas, espera e reclamações.
No fim das contas, é exatamente disso que o bordão fala: “não tem jeito”. Quem sabe, em um futuro distante, com a tão sonhada construção da Ponte Salvador–Itaparica, a frase continue viva… talvez, dessa vez, sendo dita na fila do pedágio.
Otaciano Santos
Visão Cidade


