Feira de Saúde: Afinal, o que é?

O ano de 2026 mal começou e, por onde se passa, já é possível encontrar em diversos municípios as chamadas feiras de saúde. Esses eventos oferecem à população uma série de serviços que, muitas vezes, ficam inacessíveis por longos períodos no dia a dia da rede pública.
O mais curioso é que procedimentos considerados básicos — como consultas na atenção primária — acabam se transformando em verdadeiras maratonas para os cidadãos. Filas quilométricas se formam em busca de atendimentos simples, como consultas com clínicos gerais e pediatras, aferição de pressão arterial, além de serviços em áreas como oftalmologia, cardiologia, entre outros.
Mas existe um ponto-chave que precisa ser esclarecido: você sabia que essas feiras de saúde não são gratuitas?
Grande parte dessas ações é realizada por entidades filantrópicas, associações e fundações que, no exercício de seus direitos e deveres dentro do Sistema Único de Saúde (SUS), recebem pagamento pelos serviços prestados. É exatamente por isso que, em muitos casos, é solicitado — para não dizer exigido — que o cidadão leve o cartão do SUS para realizar consultas e exames.
Como diz o velho ditado: “não existe almoço nem jantar grátis; alguém sempre paga a conta”. No caso das feiras de saúde, quem paga é o próprio povo. Todo atendimento realizado pelo SUS — da consulta mais simples à cirurgia de alta complexidade — é devidamente custeado com recursos públicos. Portanto, não existe atendimento verdadeiramente gratuito.
É importante chamar a atenção para esse detalhe: feira de saúde não é favor, nem caridade. A seguir, entenda melhor o que realmente são essas feiras e qual é o seu objetivo.
Feira de Saúde: o que é?
As feiras de saúde são eventos comunitários, geralmente organizados por órgãos governamentais — como a Secretaria da Saúde do Estado da Bahia (Sesab) — em parceria com entidades executoras. Elas oferecem, de forma acessível à população, serviços de atenção primária, exames preventivos, vacinação e orientações sobre hábitos saudáveis.
O principal objetivo é facilitar o acesso rápido a procedimentos médicos, promover o diagnóstico precoce de doenças e fortalecer a educação em saúde.
Principais características e serviços:
“Ações gratuitas”: consultas médicas, aferição de pressão e glicemia, além de exames como eletrocardiograma, ultrassonografia e exames laboratoriais;
Caráter preventivo e educativo: vacinação, testes rápidos (HIV, sífilis, hepatites) e ações de conscientização;
Cidadania: algumas feiras, como o programa Saúde Mais Perto, incluem serviços como emissão de RG e CPF;
Impacto social: levam atendimento a regiões com déficit histórico de assistência em saúde;
Orientação profissional: palestras e aconselhamentos sobre nutrição, prevenção de ISTs, higiene e autocuidado.
Essas iniciativas ajudam a reduzir filas do SUS e ampliam a conscientização da população sobre a importância da prevenção.
Diante de tudo isso, a conclusão é simples: você paga pela feira de saúde. O cidadão não está ali recebendo um favor pessoal de ninguém. Ele está exercendo um direito garantido, financiado pelos impostos que recolhe. O SUS reembolsa as entidades responsáveis pela realização dessas feiras — associações, fundações e demais organizações envolvidas.
Vale lembrar que, como o ano de 2026 apenas começou, até o mês de setembro — período que antecede o calendário eleitoral — é provável que muitos municípios realizem um grande número dessas ações. Por isso, fique atento: a palavra “grátis” não se aplica aqui. O SUS paga por cada serviço executado.
Obs.: Em determinados momentos, mutirões e ações concentradas na área da saúde são necessários e importantes. No entanto, é fundamental reforçar: nada é gratuito. Cada atendimento realizado é pago pelo Sistema Único de Saúde.
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