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E eu, a possível e futura Ponte Salvador–Itaparica? Na foto você consegue imaginar

Pois é. A cada dia surge uma nova história, um novo “fato velho com cara de novidade”. Tudo isso em torno de um projeto que começou lá atrás, há mais de 20 anos. Nesse período, já passou pela promessa de dois governadores, ambos garantindo que a ponte sairia do papel. Agora, o terceiro governador também prometeu: disse que as obras começariam há cerca de dois anos. Seu mandato já caminha para o fim, ele entra em pré-campanha de reeleição, e as promessas continuam. Diariamente surge um novo anúncio, um novo discurso, enquanto o projeto segue existindo apenas no papel. Quantos projetos já foram apresentados? Três? Quatro? Ninguém sabe ao certo. O que se sabe é que a história continua sendo contada.

E o que há, absolutamente, de concreto nesse projeto? A resposta é simples e direta: nada. Nada de concreto, apenas papéis, discursos e anúncios. Fala-se em desapropriações por todos os lados, tanto em Salvador quanto em Itaparica, mas sem definição clara de local. Tudo se transforma em uma grande caixa de surpresas. Onde será exatamente a cabeceira da ponte? Onde ficará o pedágio, em ambos os lados? As respostas nunca vêm.

O que se vê são maquetes belíssimas, imagens que encantam os olhos, mas que existem apenas na mente — e nos discursos — dos idealizadores. Diante desse cenário, surge ainda outra dúvida: o sistema ferry-boat será reforçado com novas embarcações, diante do desgaste atual, ou isso também ficará apenas no campo das promessas? Fala-se em licitações para compra de “novos velhos ferrys”, numa sequência de anúncios que, para o povo, se transforma numa verdadeira parafernália de informações desconexas, sem qualquer entendimento lógico do que realmente está acontecendo.

Na prática, a realidade mostra que grandes projetos no Brasil costumam seguir esse mesmo roteiro. Basta lembrar do metrô, que levou décadas para sair do papel, ou do VLT, que passou mais de cinco anos sem que sequer uma pá de concreto fosse colocada no chão. Foram anos de promessas, enquanto surgiam defensores e “pais da obra” tentando assumir méritos antes mesmo da obra existir.

E todos sabem: a Ponte Salvador–Itaparica é um sonho de consumo há décadas. Projetos, estudos e promessas se acumulam ao longo do tempo. Pode ser, sim, que um dia ela finalmente saia do papel. Que as promessas se transformem em compromissos reais. Que o desenvolvimento seja estrutural, sustentável e beneficie de fato toda a região por onde passar.

Na foto, você consegue imaginar… mas fora dela, até agora, sigo existindo apenas no papel, nas promessas e nos discursos que se repetem ao longo dos anos.

Até lá, sigo sendo apenas isso: eu, a possível — e ainda futura — Ponte Salvador–Itaparica.

Visão Cidade

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