Argumentação Bíblica sobre a Ordenação de Pastoras: Parte 2

À luz do Antigo e do Novo Testamento, com referências a 1Tm 3 e à teologia de John Piper e Wayne Grudem Índice 1. Introdução e escopo do estudo 2. Fundamentos no Antigo Testamento 3. Ensinos de Jesus e da igreja apostólica 4. Análise de 1 Timóteo 2–3 e Tito 1 5. Postura das mulheres em relação ao ensino e à liderança 6. Principais argumentos a favor da ordenação feminina e suas refutações 7. Síntese da contribuição de John Piper e Wayne Grudem 8. Considerações pastorais e aplicações práticas 9. Conclusão 10. Referências bíblicas e bibliográficas
3: Ensinos de Jesus e da igreja apostólica 3.1. Jesus, as mulheres e a escolha dos apóstolos Jesus contrariou padrões culturais de sua época ao tratar as mulheres com grande dignidade: dialogou teologicamente com a samaritana (Jo 4), recebeu mulheres como discípulas (Lc 8:1–3), permitiu que aprendessem aos Seus pés (Lc 10:38–42) e apareceu primeiramente a mulheres após a ressurreição (Mt 28:1–10; Jo 20:11–18). Ainda assim, quando escolhe o colégio apostólico, Jesus chama doze homens (Lc 6:1216). Ele não foi constrangido por costumes humanos, mas conscientemente estabeleceu um padrão de liderança representativa masculina para a fundação da igreja (Ef 2:20). As mulheres são discípulas e testemunhas, mas os apóstolos — como fundamento doutrinário e governamental — são homens. 3.2. A liderança na igreja primitiva: presbíteros e diáconos No livro de Atos e nas epístolas, a liderança da igreja local é exercida por presbíteros (anciãos) e bispos (supervisores), termos usados de maneira praticamente intercambiável (At 20:17,28; Tt 1:5–7). Esses líderes são também chamados de pastores no sentido funcional (cf. Ef 4:11; 1Pe 5:1–4). Há também o ofício de diácono (Fp 1:1; 1Tm 3:8–13). Há debate sobre a existência de diaconisas (cf. Rm 16:1, Febe). Mesmo entre complementaristas, muitos admitem o ofício de diaconisas ou funções diaconais exercidas por mulheres, justamente porque o diaconato tem caráter mais servil do que governamental ou de ensino autoritativo. O ponto chave é que as passagens normativas que definem qualificação para bispos/presbíteros apontam consistentemente para homens.
- Análise de 1 Timóteo 2–3 e Tito 1 4.1. 1 Timóteo 2:11–15: ensino e autoridade Em 1 Timóteo 2:11–12, Paulo declara: “A mulher aprenda em silêncio, com toda a sujeição. E não permito que a mulher ensine, nem exerça autoridade de homem; esteja, porém, em silêncio” (ARA). Aqui, dois elementos se destacam: ensinar e exercer autoridade sobre o homem. Esses termos apontam para o ensino público e normativo da Palavra na assembleia e para o governo da igreja. O fundamento apresentado por Paulo não é a cultura de Éfeso, mas a ordem da criação: “Porque primeiro foi formado Adão, depois Eva; e Adão não foi iludido, mas a mulher, sendo enganada, caiu em transgressão” (1Tm 2:13–14). Assim, a instrução apostólica é baseada em Gênesis 2–3, anterior a qualquer cultura específica, sugerindo um princípio transcultural para a vida da igreja. 4.2. 1 Timóteo 3:1–7: qualificações para bispos/pastores Em 1 Timóteo 3:1–7, Paulo apresenta as qualificações para o epískopos (bispo/supervisor), ofício que corresponde ao que hoje entendemos como pastor/presbítero. Destacam-se as seguintes expressões: • • • “Se alguém aspira ao episcopado, excelente obra almeja” (v. 1) – o texto pressupõe uma pessoa específica, que será avaliada pela comunidade. “É necessário, pois, que o bispo seja irrepreensível, marido de uma só mulher” (v. 2) a formulação grega (anēr mias gynaikos) indica literalmente “homem de uma só mulher”. O bispo deve “governar bem a própria casa, criando os filhos sob disciplina, com todo o respeito” (v. 4). A forma padrão de referência pressupõe um homem casado, ainda que não exija o casamento como condição absoluta. O ponto é que o modelo dado por Paulo para o ofício de supervisão doutrinária e governamental é masculino. 4.3. Tito 1:5–9 e a equivalência bispo–presbítero Em Tito 1:5–9, Paulo orienta Tito a estabelecer presbíteros em cada cidade. As qualificações são praticamente paralelas às de 1Tm 3, incluindo novamente a expressão “marido de uma só mulher” (Tt 1:6). No v. 7, o presbítero é explicitamente chamado de epískopos, confirmando a equivalência funcional entre presbítero, bispo e pastor. A partir dessas passagens normativas, a tradição da igreja, em larga escala, entendeu que o ofício pastoral/presbiteral é reservado a homens qualificados, enquanto mulheres exercem diversos outros ministérios importantes, mas não
Por Jorge Andrade


