Uma visão, uma busca

Com a proximidade do fim de ano, o clima nas cidades se transforma: é tempo de festa, de confraternização e de grandes encontros. Reuniões de família e de amigos tornam-se mais frequentes, criando um ambiente propício à reflexão. É um momento de pedir perdão, de reavaliar atos e atitudes, de olhar para dentro de si e realizar uma autoanálise sincera dos acertos e dos erros.
Após essa reflexão, surge a palavra essencial: perdão. Nenhuma avaliação, nenhuma justificativa ou pedido de desculpas terá sentido se o perdão não vier de dentro, de forma verdadeira e consciente. Somos humanos, falhos por natureza. Erramos, acertamos, tentamos, aprendemos e seguimos em frente. Justamente por isso, precisamos aprender, no dia a dia, a sermos mais solidários.
A mágoa existe, a ferida muitas vezes demora a cicatrizar, mas toda ferida pode encontrar o seu bálsamo. Para isso, é preciso buscar o remédio certo: o diálogo, a empatia e a compreensão. Muitas vezes, essas feridas são causadas pelas nossas próprias atitudes, e compreender o outro lado é essencial para a cura. É preciso enxergar além do nosso ponto de vista e entender o que acontece do outro lado.
Essas situações acontecem em todos os segmentos da vida. Nenhum está imune. Em todos há objetivos, desafios e divergências. O que muitas vezes parece um conflito é, na verdade, parte do crescimento. Não existe perfeição, tampouco unanimidade. A discordância faz parte do processo, assim como a concordância e o alinhamento de atitudes. É desse equilíbrio que nasce a evolução e a possibilidade de fazer o melhor para o bem coletivo.
Muitas pessoas se escondem atrás de “capas”, mas todos nós também as temos. Carregamos virtudes e defeitos, acertos e erros. Por isso, antes de avaliar o outro, é fundamental avaliarmos a nós mesmos. Precisamos primeiro nos encontrar interiormente para, então, fazermos avaliações justas em todos os campos da vida — seja na política, na religião, no esporte, nas associações, no trabalho ou em qualquer outro segmento.
Acima de tudo, é preciso acreditar em si mesmo e acreditar que, juntos, somos capazes de construir algo melhor.
Texto: Otaciano Santos
Visão Cidade


