Retratos, fotos e selfies: A bola da vez entre o povo e os políticos

Estava observando as redes sociais junto com um grupo de amigos e chegamos a uma conclusão: o que mais se vê pelos interiores e pelas cidades é gente tirando retrato com político. São visitas, mais visitas, promessas de apoio — e promessa é o que não falta. Afinal de contas, o próximo ano é ano político, e todo mundo está buscando o seu lugarzinho à sombra, porque o sol está quente e a temperatura só aumenta.
Quando se fala em foto, retrato ou selfie, isso é algo natural. Quem é que não quer um registro ao lado de uma pessoa considerada importante? E, do outro lado, essa pessoa importante — o político — também faz sua parte: promete. Promete porque espera algo em troca, e essa moeda tem nome: voto.
Se é assim que funciona o jogo, então vamos de retrato, vamos de foto, vamos de selfie para todo lado. O que vemos é uma situação, no mínimo, curiosa. Como disse um amigo: isso virou uma febre. E, como todo modismo, uma hora passa. O problema é quando chega outubro do ano que vem, quando o resultado das urnas aparece. Aí se descobre quem é quem, quem tinha compromisso, quem errou, quem traiu, quem foi traído e quem apenas usou o momento.
Fala-se muito, abraça-se demais, aperta-se muitas mãos, dá-se tapinha nas costas, mas falta algo essencial: o olhar no olho, a palavra verdadeira, o compromisso real. Ainda tem muita água para rolar, muitas promessas para serem feitas. Mas o que preocupa é a falta de compromisso, que parece crescer. Tem gente tirando foto de um lado e, logo depois, do outro; abraça Chico e aperta a mão de Francisco. Mas será que a política precisa ser feita assim?
Meu compadre, em uma dessas conversas, foi direto: disse que não é do tempo em que política se fazia assim. No tempo dele, política era feita no fio do bigode, quando promessa era dívida e compromisso era coisa séria.
Outro amigo costuma dizer que a política é uma arte. Vai além: diz que é a arte de fazer amigos. Teoricamente, é uma forma bonita de definir a política e o político. E, de fato, a política é uma arte. O que se questiona é até onde os artistas — atores desse palco — representam seus papéis com maestria, com foco nos segmentos certos e, acima de tudo, no povo e pelo povo.
Há muito o que pensar, analisar e refletir para que, ao final desse processo chamado pré-campanha e campanha, o resultado seja positivo. Que ganhem os políticos, com os votos do povo, mas que ganhe principalmente o povo, com o compromisso dos eleitos. Nem todos serão eleitos, isso é fato. Mas aqueles que forem precisam agir com responsabilidade e cumprir aquilo que foi prometido.
Cabe também ao povo encontrar, dentro da realidade dos fatos, a verdadeira identidade do seu representante. E, depois da escolha, acompanhar, cobrar, exigir. Para que, no futuro, não fique apenas o lamento: “não fez”, “não cumpriu”, “prometeu e não entregou”. Seja na esfera municipal, estadual ou federal, quem é eleito precisa ser fiscalizado. Afinal, mandato não é perpétuo, não é para a vida toda.
Que haja harmonia entre representantes e representados. Que a nação exerça sua soberania e fortaleça, de fato, uma democracia verdadeira.
E vale ressaltar: nem toda foto, retrato ou selfie é promessa ou compromisso político. Muitas vezes, é apenas o registro de um momento, guardado com carinho.
Visão Cidade


