O matuto quando encontra seu compadre é coisa, viu!

É, fazia tempo que eu não recebia aqui em casa o meu compadre para um bom papo, daqueles demorados e saudosos. Conversa comprida, daquelas que começam sem hora pra acabar. Falamos das nossas andanças, das nossas coisas, das famílias, da cidade, do nosso time do coração. Falamos de política, de religião… porque quando eu e meu compadre nos encontramos, assunto é o que não falta.
E hoje foi um desses dias especiais. Conversamos muito. Fizemos até um retrospecto do ano de 2025 e fomos buscar lembranças de 2024, 2023, 2022, 2021 e por aí afora. Na verdade, falamos mesmo foi da vida. Da família e do crescimento de cada uma. Falamos da juventude, de como ela está diferente, transformada. O tal do celular mudou tudo. Hoje criança não brinca mais de gude, de fura-pé, de bola na rua. As meninas quase não brincam mais de boneca, de casinha, de cozinhado. Aqui na roça, antigamente, a diversão era jogar bola, pisar na lama quando chovia. Hoje é videogame de última geração.
Aí eu perguntei ao meu compadre: será que nós ficamos para trás ou o mundo avançou demais? A pergunta é repetida, mas precisa ser feita.
Falamos também do crescimento da nossa roça. Rapaz, como tá bonita! Tudo arrumadinha, calçada, cheia de paralelepípedo… uma formosura. Falamos de religião, assunto delicado, complexo, mas necessário. Cada qual com sua fé, e toda crença precisa ser respeitada.
Falamos de futebol, cada um defendendo o seu time, claro. E falamos da Seleção Brasileira, discutimos, demos nossos pitacos, achamos soluções nossas — porque o treinador tem as dele, né? E falamos muito de política. Meu compadre entende disso de có e salteado.
Ano que vem é ano de eleição: presidente, governador, senador, deputado federal e deputado estadual. Vai ser uma briga danada. O governador da Bahia tá rodando o interior todo atrás de voto. O ex-prefeito de Salvador também tá no páreo. Ninguém sabe ao certo como vai ser o destino dos municípios. Cada um escolhendo com quem vai caminhar, pra que lado vai pender o pensamento para o futuro.
Aí eu disse ao meu compadre — e digo agora a vocês: política é uma grande interrogação. Tenho um amigo que diz que política é uma arte. O que não pode acontecer é o povo virar inimigo um do outro por causa dela. Precisamos fortalecer a política, amadurecer nosso conhecimento, pra fazer o que um rapaz vive dizendo por aí: conquistar a tal da identidade eleitoral. Eu não sei bem o que é isso, não, mas deve ser coisa boa. Então vamos juntos tentar entender.
Aqui na roça discutimos muitos assuntos. Falamos também do número 1, que anda por aí tentando fazer diferente. Pelo menos conversa com o povo, aperta a mão, abraça, pega criança no colo. Parece político mesmo, viu? Mas, por outro lado, tem gente que pensa diferente — e tudo bem. Política precisa de contraponto, precisa de debate.
Eu disse isso ao meu compadre, e ele concordou. Disse que a roça precisa se preparar. Aí puxamos o assunto da tal ponte do Dique Grande. Rapaz, essa história parece conversa pra boi dormir. Já são uns 20 anos de promessa. Um entra, outro sai, e a ponte nada. Dizem que já desapropriaram, que agora vai… mas a gente já ouviu isso tantas vezes.
Meu compadre diz que acredita. Eu não desacredito, não. Mas eu quero ver. Quero pisar naquela ponte, passar com minha carroça puxada pelo meu burrinho — se deixarem, né? Porque já andam falando que certas coisas não vão poder passar. Mas isso é conversa pros grandes se entenderem. O que eu quero mesmo é passar na ponte do Dique Grande, olhar o dique lá de cima. Ô coisa boa deve ser!
Agora é aguardar. Aguardar a ponte, aguardar as eleições, ver se o governador fica ou muda. Escolher bem nossos deputados estaduais, federais, senador e o presidente da República. Como disse meu compadre, precisamos escolher com consciência.
E volto à frase daquele meu amigo: precisamos conhecer nossa identidade eleitoral. Me desculpem, eu sou um matuto velho daqui da roça… mas tô aprendendo. É coisa, viu!
Visão Cidade
(Foto: internet)


