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Na política, toda obra tem ‘pai’, mas o maior beneficiado deve ser o povo

O nascimento de um filho é sempre uma maravilha. Na política, essa metáfora costuma ser usada para representar conquistas como a entrega de obras, ambulâncias, tratores, veículos utilitários, reformas de escolas, construção de estradas, entre tantas outras ações. Em meio a esses anúncios, surge quase sempre a mesma pergunta: quem é o “pai” da criança?

É inegável a importância dessas realizações. Mais do que disputas de autoria, o que se observa é a participação efetiva de políticos e da própria sociedade na cobrança por melhorias para seus municípios. Também é evidente que essas ações fazem parte do processo de fortalecimento de bases eleitorais. Prefeitos, deputados, governadores e até o presidente da República aparecem diariamente em propagandas e nas redes sociais demonstrando carinho, atenção e compromisso com este ou aquele município.

Esse discurso do “amor pelo município” se repete com frequência. E, de fato, o amor é apresentado como a maior prova de cuidado e preocupação com a população. No caso da Bahia, são 417 municípios que recebem, diariamente, anúncios de investimentos, convênios e promessas. No fim das contas, pouco importa se a obra é uma ambulância, um trator, um veículo, a reforma de uma escola ou a construção de uma estrada. O essencial é que a ação seja realizada e beneficie diretamente a sociedade.

Foi dentro desse contexto que, na tarde do dia 17, na Assembleia Legislativa da Bahia (ALBA), o governador Jerônimo Rodrigues anunciou convênios com pouco mais de 100 municípios, nesta primeira etapa. Prefeitos e representantes municipais estiveram presentes, muitos já sabendo exatamente o que seus municípios receberiam, outros na expectativa por boas notícias. Caravanas marcaram presença, enquanto alguns gestores, por diferentes motivos — distância, compromissos ou alinhamentos políticos — enviaram seus secretários ou representantes.

Os comentários eram diversos: agora tudo será feito. O desafio, em muitos casos, será identificar quem é o “pai” da criança. Em outros, essa paternidade já é conhecida: quem solicitou, quem articulou, quem indicou e quem executou. Essa é uma das faces da política que precisa ser melhor compreendida pela população. Quem pede nem sempre executa, e quem executa muitas vezes o faz por dever institucional e obrigação legal.

No entanto, o mais importante é que a “criança” nasce. E, na prática, a população sabe, entende e reconhece os caminhos percorridos até que a ação se concretize. O povo conhece a verdade. Mas, acima de qualquer vaidade ou disputa de autoria, o que realmente importa é que o benefício chegue, seja executado e atenda às necessidades da sociedade.

No fim, pouco interessa a quem será dado o título de “pai da criança”. O essencial é que ela nasceu e trará benefícios para todos. Essa é, ou ao menos deveria ser, a essência da política.

Por: Otaciano Santos

Visão Cidade

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