Fogos de artifícios: Serão mesmo inimigos dos autistas e dos animais?

“Esse som é muito alto, gostaria de ir para outro lugar mais quieto, pode me levar?”
“Por favor, esses fogos são muito assustadores para mim, eu não gosto disso”
“Onde estão meus protetores auriculares?”
Pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA), são muito mais sensíveis a certos estímulos sensoriais do que outras pessoas, e nesse aspecto, existe uma semelhança entre alguns animais e os autistas. Eles podem ter reações análogas quando expostos aos estrondos dos fogos de artifícios, ambos podem ter sensibilidade sensorial e o barulho desses fogos surgem muito mais altos do que eles possam suportar, causando grande perturbação para eles.
Para quem solta fogos de artifícios, e para quem gosta, é um prazer enorme ouvir os estampidos, vislumbrar o show que muitos dão no ar causando emoções, euforias e remetendo a nostalgias, como na virada do ano. Já em festas juninas, os estrondos chegam a causar zumbidos, com as bombas que cada vez mais seu estampido vem crescendo, mas para os autistas e animais como os cães e os gatos, esse barulho que vem de forma repentina e com grande intensidade em Hertz, podem ser interpretados por eles como uma grande ameaça, um sério sinal de perigo.
Para alguns autistas os fogos de artifício causam grande sensação de medo e aumenta sua ansiedade, assim como os animais também sentem como se fossem os barulhos ameaçadores que convive na natureza, e eles não sabem quando os estrondos vão acontecer, geralmente os pegam de surpresa, levando ao pânico, a reações de intensos estresses, manifestando algumas formas comportamental, como também fisiológicas.
O que muitas pessoas não sabem é que esses fogos de artifícios surgem tanto para os autistas, como para os animais, com estímulos sensoriais avassaladores e ambos podem se machucar, adotando diversos comportamentos, como de fuga, tentando se afastar pelo desconforto ou medo que sentem.
É de grande importância a sinalização de que os fogos de artifícios podem causar aos autistas e aos animais, como também criar métodos que possam prepará-los, para pelo menos amenizar os impactos desses sons estrondosos.
Para pessoas autistas o uso de protetores auriculares ou fones de ouvidos com música que os acalme, pode ser opção nessas horas, para que possa reduzir a intensidade dos estampidos tão prejudiciais. É importante também que a família crie uma rotina em que eles possam se sentir seguros, sempre ouvindo os seus sentimentos, procurando saber como eles estão se sentindo nesse momento, pode ajudar.
Para os animais é necessário acalmá-los antes que aconteça a queima de fogos, e assim como os autistas, muitos deles se acalmam com música suave, fazendo reduzir o estresse. É de fundamental importância que o tutor ou responsável fique com o animal durante os estrondos, para que ele se sinta protegido e confortável. Acostumá-los a sons altos aos poucos pode dessensibilizar alguns animais, mas nem sempre funciona. Existem várias indicações para amenizar esses dias terríveis para eles, como a técnica da faixa Tellington TTouch, onde o animal é envolvido com uma toalha ou outro tecido, com o objetivo de reduzir a ansiedade, e o animal possa se sentir seguro. Já em casos mais graves, o veterinário pode optar por ansiolíticos, promovendo o relaxamento, sempre com a orientação médica.
Já os animais de rua, esses coitados, deixados ao seu próprio destino, se viram sozinhos, embora alguns voluntários forneçam ajuda neste período de queima de fogos para alguns, mas geralmente eles são afugentados quando procuram desesperadamente abrigos. Como já convivem pelas ruas com ameaças de diversas naturezas, sua reação é baseada no instinto de sobrevivência. É comum vê-los correndo desorientados pelas ruas, sem saber para onde ir e nem o que fazer nessas horas. O estresse causado pode afetar sua saúde, que já não é das melhores e seu comportamento também.
Existem municípios que criaram leis proibindo ou regulamentando a quantidade de decibéis para uso de fogos de artifícios com estampido. E em sua cidade, o que vem sendo feito para aliviar as pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e aos animais que possuem sensibilidade auditiva?
Por Sarita Rodrigues


