Ferry Boat: Um serviço que se tornou uma lástima

Os usuários do sistema Ferry Boat, que liga Salvador à Ilha de Itaparica, seguem sendo tratados de maneira lamentável pela empresa responsável pela concessão, autorizada pelo Governo do Estado da Bahia. O sistema está degradado, obsoleto e completamente distante do mínimo de respeito ao cidadão.
Os terminais apresentam condições vergonhosas: espaços desconfortáveis, sujos e com banheiros impróprios para uso. A falta de higiene é evidente — vasos sanitários sem manutenção, mictórios transbordando, pisos encardidos e sem qualquer limpeza. No salão destinado aos pedestres, cadeiras sujas e chão imundo completam o cenário de abandono. Um retrato claro da má gestão e do descaso com o povo baiano.
Até mesmo a compra de passagens se transforma em sofrimento. Falta organização, falta planejamento e, muitas vezes, falta até troco para o consumidor — uma situação que parece até proposital para dificultar ainda mais a vida de quem precisa atravessar.
Para quem utiliza veículo, a experiência é ainda mais deprimente. Filas gigantescas, atrasos constantes e um atendimento que deixa muito a desejar. Não se trata de todos os trabalhadores da Internacional Travessias, mas alguns colaboradores agem com desrespeito, oferecendo respostas grosseiras aos passageiros que buscam informações.
Na tarde e noite do dia 8 de dezembro, por exemplo, quem precisou realizar o trajeto Bom Despacho–Salvador enfrentou horas de espera, tanto pedestres quanto passageiros com hora marcada, prejudicados pelo atraso das embarcações. Há ainda um problema antigo e revoltante: os chamados “DA”, ou demandas abertas — veículos que conseguem acesso prioritário sem explicação clara, pulando a fila e desrespeitando quem aguarda pacientemente desde cedo. Convênios com órgãos públicos existem, mas o abuso parece ir muito além disso.
Não é aceitável que pessoas cheguem às 14h30 e só embarquem às 21h. Falta respeito, falta gestão, falta fiscalização e falta principalmente pulso firme do Governo do Estado, responsável direto pelo sistema. A empresa administra aquilo que pertence ao povo baiano — e isso precisa ser lembrado.
O sucateamento do Ferry Boat não começou hoje. O que já foi um sistema referência nas décadas de 1980 e início dos anos 1990, com 8 a 10 embarcações operando, foi reduzido ao mínimo. Atualmente, apenas cinco embarcações fazem a travessia — e quando uma sai de operação para manutenção, o caos se instala.
Não podemos esquecer também que duas embarcações foram deliberadamente submersas, sob a justificativa de criar turismo submarino, enquanto outras foram simplesmente sucateadas. O caso do navio Maragogipe permanece sem qualquer explicação ao público: onde está, em que estado se encontra e qual o destino dado ao bem público?
Para completar a lista de absurdos, a passarela de pedestres nos terminais de São Joaquim e Bom Despacho está desativada há mais de 16 anos — um símbolo do abandono.
Diante de tudo isso, fica a pergunta: até quando o povo baiano será submetido a tamanha humilhação? O Governo do Estado da Bahia deve explicações claras e ações urgentes para reestruturar o sistema Ferry Boat — um serviço essencial, mas que há muito deixou de cumprir seu papel com dignidade.
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