STJD: Justiça ou Injustiça?

Nos últimos anos, o Brasil tem acompanhado, especialmente no futebol, uma série de ações contra jogadores acusados de atitudes antidesportivas dentro das quatro linhas. Em muitos casos, essas condutas levantam suspeitas de favorecimento ilícito em apostas esportivas. Diversos atletas já foram suspensos, multados e até banidos do futebol. Todos esses processos passam pelo Superior Tribunal de Justiça Desportiva (STJD), órgão máximo do julgamento esportivo no país.
Não se questiona a credibilidade da instituição ou a competência de seus auditores. Acreditamos que atuem de forma rigorosa, embasados em provas e comprometidos com a verdade dos fatos. Quando há suspeitas durante uma partida, é fundamental que elas sejam apuradas não apenas pela justiça desportiva, mas também pela justiça comum, afinal, favorecimento indevido e manipulação de resultados atingem diretamente a integridade do esporte.
O futebol precisa de lisura e preservação de sua essência. Entretanto, temos visto situações recorrentes em que jogadores são expulsos ou recebem cartões de maneira aparentemente desnecessária, levantando dúvidas e alimentando denúncias. E, diante disso, surge a pergunta que ecoa entre os torcedores: onde está a verdade?
Nesta semana, o STJD julgou um jogador do Flamengo acusado de envolvimento nesse tipo de conduta. O atleta, que inicialmente havia sido punido com 12 jogos de suspensão, acabou sendo absolvido, ficando sujeito apenas ao pagamento de multa e liberado para continuar atuando. Até aí, nada fora do procedimento jurídico.
O problema, segundo boa parte da torcida e dos críticos nas redes sociais, está na diferença de tratamento quando comparado a outros casos. Há jogadores que chegaram a cumprir até dois anos de punição, impedidos de exercer sua profissão. Por isso, muitos questionam se o fato de o atleta absolvido jogar por um clube de grande expressão influencia, ainda que indiretamente, o peso da decisão.
Apesar das críticas, é importante reforçar que o STJD é uma instituição formada com base nos princípios da moralidade e da responsabilidade. Ainda assim, a percepção popular é clara: a torcida deseja critérios iguais para todos, independentemente do time, da posição ou da relevância do jogador.
Também há quem lembre que até atletas da Seleção Brasileira já foram condenados por práticas semelhantes no exterior, mas hoje representam o país normalmente. Não se trata de condenar A ou B, e sim de pedir que tudo seja tratado com transparência e isonomia, em defesa da integridade do futebol.
O torcedor quer clareza. Quer justiça. Quer a garantia de que o esporte que ama está sendo protegido. E essa cobrança é legítima, porque o futebol, acima de tudo, precisa ser limpo, ético e responsável.
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