Desabafo de um Eleitor – Parte 2

“Sou um eleitor brasileiro e, sinceramente, fico a me perguntar: como o político brasileiro muda tão rapidamente sua “fotossíntese política”? É algo quase sobrenatural.
Durante o período eleitoral, eles se tornam acessíveis, carinhosos, atenciosos e cheios de paciência. Ouvem tudo com calma, respondem a qualquer pergunta com gentileza e demonstram um interesse incomum pelo cidadão comum. Tudo isso, é claro, faz parte de um jogo estratégico de conquista do voto.
Mas, passada a eleição, quando alguns alcançam seus cargos — seja como vereadores, prefeitos, deputados, senadores, governadores ou até presidente —, a transformação acontece.
Aquela empatia desaparece.
O político “outrora humano” se torna inacessível, arrogante e indiferente.
Já não ouve, não dialoga, não dá atenção. Muitos se transformam em verdadeiras pedras brutas.
É nesse momento que percebemos que, para alguns, o poder não revela o caráter — apenas o amplia.
Claro, há exceções. Existem aqueles que nascem cordeiros e permanecem cordeiros, que mantêm a humildade e o compromisso com o povo.
Mas também há os que nascem lagartixas e continuam lagartixas, sempre se adaptando às conveniências.
E, principalmente, os camaleões, que mudam de cor conforme o ambiente político.
Essas comparações, por mais simbólicas que pareçam, refletem o que vivemos no dia a dia: o antes e o depois das eleições.
Tenho um vizinho que costuma ir ainda mais fundo nessa reflexão.
Ele diz que toda essa “fotossíntese” — essa mudança de comportamento, arrogância e prepotência — também tem um culpado: o próprio eleitor.
Segundo ele, há eleitores que se aproximam dos candidatos com a faca nos dentes, querendo tirar proveito de qualquer forma. Pedem de tudo: favores, cargos, vantagens, benefícios pessoais.
E, assim, vendem o voto, às vezes por um agrado, uma promessa vazia ou até por nada.
Mas o preço disso é altíssimo.
Quando o voto é trocado por migalhas, o futuro é o que paga a conta.
Ainda bem que existem os outros — os que buscam conhecimento, que pensam no coletivo, que votam com consciência.
Infelizmente, muitas vezes, eles são vencidos pelos imediatistas, pelos que não conseguem enxergar além do momento.
Meu vizinho sempre encerra suas conversas dizendo algo que me marca profundamente:
“Educação, saúde, moradia, saneamento básico, transporte, cultura e lazer — esses são os pilares que tornam um cidadão mais forte. Essa deve ser a busca de todos os eleitores. Esse deve ser o norte para um futuro melhor.”
E eu concordo com ele.
Enquanto o eleitor não entender o valor do seu voto, o Brasil continuará trocando o essencial pelo momentâneo”.
Visão Cidade


