Escalada da violência em Salvador e na Bahia

No exercício de suas atribuições, o vereador Téo Senna fez um pronunciamento eloquente sobre a violência, demonstrando profunda indignação.
Senhor presidente, Senhoras e senhores vereadores, Povo de Salvador que nos acompanha, Subo hoje a esta tribuna tomado por um sentimento de indignação e preocupação com o que está acontecendo na nossa cidade e em todo o estado da Bahia. Nos últimos dias, mais uma vez, Salvador foi palco da violência desenfreada. Criminosos atacaram ônibus do transporte público no Itaigara e no Vale das Pedrinhas, deixando a população aterrorizada e gerando prejuízos incalculáveis aos cofres públicos. Esses ataques não são fatos isolados. São sintomas claros do descontrole do Governo do Estado na área da segurança pública. A escalada da violência comprova o caos que se instalou na Bahia. Hoje, ninguém está seguro, nem na capital, nem no interior. E o pior: o governador Jerônimo Rodrigues mantém um silêncio ensurdecedor diante dessa barbárie. Um silêncio que ofende as famílias, os trabalhadores e os cidadãos que vivem com medo de sair de casa.
Cada ônibus queimado, cada coletivo apedrejado, representa não apenas o terror imposto ao povo, mas também um rombo nos cofres públicos. Em 2024, foram nove ônibus incendiados, com um prejuízo de R$ 9 milhões. Quem paga essa conta é o cidadão soteropolitano, que fica sem transporte, sem segurança e ainda vê recursos que poderiam ser usados em saúde, educação e assistência social serem desviados para reparar os danos causados pela criminalidade. E, neste fim de semana, os motoristas que circulavam pela Ceasinha, no Rio Vermelho, viveram momentos de pânico, após criminosos atirarem pedras em ônibus. O medo se espalha. As ruas estão tomadas pela insegurança. Como se não bastasse o aumento da criminalidade, somos confrontados com episódios de extrema gravidade, que revelam falhas profundas também dentro das forças de segurança do Estado. Refiro-me à morte do jovem Caíque dos Santos Reis, de apenas 16 anos, durante uma ação policial em São Marcos. Caíque era estudante, barbeiro e começaria um novo emprego no dia em que foi sepultado. Foi aluno no Colégio Maria Amélia Santos, no Coroado, onde ensinei por mais de 25 anos, e sua morte atinge em cheio toda a comunidade escolar e todos que o conheceram.
Segundo relatos da própria mãe e de moradores, Caíque não t inha qualquer envolvimento com a criminalidade. Foi abordado, obedeceu às ordens e ainda assim foi alvejado. Um menino cheio de sonhos, vítima de uma tragédia que escancara a falta de comando e de sensibilidade humana dentro da estrutura da segurança pública baiana. Não há justificativa para tamanha brutalidade. Não há discurso político que apague a dor de uma mãe que perdeu o filho de forma covarde. A vida de Caíque não pode ser mais uma estatística. O que estamos vendo é um colapso na política de segurança pública. A falta de comando é evidente. Falta gestão, falta integração, falta compromisso com o povo baiano. Enquanto o governo estadual gasta milhões em propaganda, tentando maquiar a realidade, o cidadão vive acuado, refém do medo e da omissão. É lamentável ver um governador se calar diante de tamanha violência. Eu, Téo Senna, vereador de Salvador, não posso me calar. Defendo uma segurança pública de verdade, que proteja a população, que valorize os profissionais e que respeite a vida.
A Bahia precisa de um governo que tenha coragem de enfrentar o crime, e não de um governo que fuja da responsabilidade. Que Deus conforte a família de Caíque e todas as vítimas da violência que assola o nosso estado. E que esta Casa cobre do Governo do Estado a postura que a Bahia merece: firmeza, transparência e compromisso com a vida.
Vereador Téo Senna
Ascom


