A saúde na Bahia: Três hospitais administrados por uma mesma fundação acumulam denúncias e problemas

Uma pergunta que não quer calar: o que está acontecendo com alguns dos principais hospitais públicos da Bahia, especialmente os localizados em Salvador?
O Hospital Otávio Mangabeira, reconstruído recentemente pelo Governo do Estado, foi entregue à administração de uma fundação que também gere o Hospital Couto Maia — e as reclamações são praticamente as mesmas. Funcionários relatam atrasos salariais, falta de condições adequadas de trabalho e um crescente número de pedidos de demissão entre médicos e especialistas que não suportam mais o descaso.
Pacientes vindos de diversos municípios do interior são deixados na porta do hospital por vans e micro-ônibus, mas, ao chegarem à triagem, recebem respostas desanimadoras: “o médico pediu demissão” ou “essa especialidade não é mais atendida aqui”. A situação gera revolta e indignação entre familiares e pacientes que dependem do serviço público de saúde.
A grande dúvida é: o que essa fundação tem feito para merecer o prestígio de administrar dois hospitais de referência na capital baiana — o Hospital Couto Maia e o Hospital Otávio Mangabeira —, quando as denúncias de má gestão se acumulam?
E o problema não se limita à capital. Na Ilha de Itaparica, o Hospital Geral de Itaparica, também sob administração da mesma fundação, enfrenta dificuldades semelhantes. De acordo com funcionários e moradores locais, a unidade está há mais de oito anos sob essa gestão e segue sem dispor de uma UTI. As reformas acontecem de forma lenta, “a passos de lesma”, segundo relatos.
Os atrasos salariais se repetem: há períodos em que profissionais ficam até dois meses sem receber. Muitos acabam pedindo demissão, o que agrava ainda mais a falta de atendimento à população.
Outro ponto crítico é a demora na regulação. Pacientes permanecem internados por semanas — e até meses — aguardando transferência para outras unidades. A cena é lamentável e coloca em xeque a eficiência do sistema de saúde estadual.
Afinal, o que está acontecendo com a saúde pública da Bahia? Como pode uma única fundação administrar três hospitais — dois em Salvador e um em Itaparica — e acumular tantas denúncias de falhas, atrasos e desrespeito aos profissionais e pacientes?
A população quer e precisa de respostas imediatas. A saúde é um direito básico e deve ser tratada com prioridade e competência. Como disse dona Maria, em frente ao Hospital Otávio Mangabeira:
“A saúde do povo não pode esperar, o que está acontecendo é uma vergonha.”
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